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O
"abate técnico" desvendando
a contradição na produção
da carne brasileira.
Acontece um paradoxo no mercado pecuário
de corte. Enquanto os criadores e invernistas
vêm investindo largas somas na evolução
genética, nutricional e sanitária
do rebanho, assim como na formação
de pastagens e rações saudáveis,
o rendimento (diferença entre o peso
vivo e a carcaça) no momento do abate
no frigorífico vem, dia a dia, exibindo
um proveito menor, o que implica na redução
dos resultados da atividade.
De
acordo com o presidente da Associação
de Proprietários Rurais de Mato Grosso
(APR-MT), Ricardo Borges de Castro Cunha:
"Antes o rendimento era de 54%, ou
seja, a carcaça de um boi de 500
quilos, por exemplo, pesava 270 quilos.
Hoje, o rendimento está em torno
de 51%, então, pesa 260 quilos. São
10 quilos de diferença que o frigorífico
paga a menos".
Daí
a insatisfação geral de todos
aqueles produtores que operam no setor.
Nesse contexto, a UDR - União Democrática
Ruralista, por seu presidente, Luiz Antônio
Nabhan Garcia, lançou o desafio do
chamado "abate técnico",
para definitivamente tirar a prova da verdade.
A idéia consistiu em proceder ao
abate de animais de várias raças
e origem, tais como zebuínas, européias
e cruzamento industrial, com eras e pesos
diferentes.
O
evento teve lugar nos últimos dias
04 e 05 de março, sendo o primeiro
dia destinado à pesagem dos animais
na fazenda Concórdia, município
de Tarabay-SP (peso vivo), ao passo que
o segundo deu-se no Frigorífico Anastaciano,
estabelecido em Santo Anastácio-SP,
na região de Presidente Prudente,
onde foram realizados os abates dos animais
previamente pesados (peso morto), ambos
com a participação do INMETRO/IPEM-
Instituto de Pesos e Medidas, na aferição
da balança da propriedade rural,
Inspeções da Defesa Animal
(Secretaria de Agricultura-SP) e Defesa
Sanitária, SIF (Ministério
da Agricultura e Pecuária), Sindicatos
Rurais, professores de Universidade das
áreas de veterinária e zootecnia,
Técnicos da iniciativa privada e
estatal, pecuaristas, assim como a imprensa
falada, escrita e televisionada.
O
resultado alcançado (peso morto)
foi o seguinte:
|
Raça
|
Idade
|
Peso
|
Rendimento
%
|
Rend./Média
|
|
Nelore:
|
36/40
meses
|
566
a 638 quilos
|
54,10
à 57,20
|
55,65%
|
|
Guzonel:
nelore
x guzerá
|
36/40
meses
|
534
a 671 quilos
|
54,04
à 56,56
|
55,30%
|
|
Anelorado:
|
36
meses
|
522
a 586 quilos
|
53,17
à 56,63
|
54,90%
|
|
Brangus:
|
28/30
meses
|
466
a 522 quilos
|
54,03
à 55,37
|
54,70%
|
|
Braford:
|
30/34
meses
|
524
a 536 quilos
|
53,92
`a 54,30
|
54,11%
|
|
Canchim:
|
30/36
meses
|
551
a 619 quilos
|
54,07
à 54,77
|
54,42%
|
|
cruzado
comum:
|
36/42
meses
|
495
a 566 quilos
|
51,91
à 53,45
|
52,68%
|
Vê-se,
pois, que assiste razão aos produtores
rurais quando se queixam do baixo rendimento
de seus animais junto aos estabelecimentos
frigoríficos, hoje concentrados nas
mãos de poucos empresários.
Faz-se
necessário, portanto, uma urgente
solução para o impasse. Uma
das saídas seria comercializar os
animais nas balanças aferidas e fiscalizadas
das fazendas dos produtores, no peso vivo
e recebendo o valor pela arroba de carne
dos frigoríficos de acordo com a
qualidade dos animais comercializados, a
exemplo de paises como os Estados Unidos,
Austrália, Argentina, Uruguai entre
outros. Outra opção é
a união dos produtores no momento
da venda, através da criação
das chamadas "Centrais de Comercialização
de Bois", nos moldes da idealizada
pela APR-MT. O que não se pode admitir
- diz Nabhan - "é inviabilizar
uma das atividades mais importantes do País,
que figura como o maior exportador mundial
de carne, por conta da desunião da
classe rural produtora e da ganância
de alguns empresários do ramo frigorífico".
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