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Uréia:
práticas para sua utilização
na alimentação
de ruminantes
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| A
uréia é um composto orgânico nitrogenado não protéico,
solúvel em água e álcool e quimicamente classificada
como amida. É uma das fontes mais utilizadas para
suprir parcialmente as deficiências protéicas das
pastagens, podendo substituir até determinado limite
as fontes alimentícias protéicas à base de farelos
e tortas oleaginosas, de elevado custo. Bons |
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resultados
podem ser conseguidos quando a uréia é administrada
de forma adequada, pois estabelece o equilíbrio protéico
energético dos alimentos.
A
uréia foi identificada quimicamente em 1770, entretanto,
apenas em 1891 é que foi descoberto que os ruminantes
sintetizavam proteína a partir da uréia. A falta de
alimento para o gado, durante a primeira guerra mundial,
fez com que seu uso propagasse em toda Europa, alcançando
os Estados Unidos. Hoje o uso da uréia vem
crescendo em todo mundo.. |
| Razões
para o uso: |
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·
Baixo
custo por unidade de proteína;
·
Facilidade
no fornecimento ao gado;
·
Possibilidade
de se aproveitar subprodutos, como sabugo de milho,
rolão de milho, palhadas de arroz, feijão, soja,
amendoim e outras culturas, pontas e bagaço de cana
e sobras de capim passado nas pastagens.
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| Orientações
para o uso |
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·
Deve-se
dar ao gado um período de adaptação (2 a 6 semanas),
durante o qual as quantidades de uréia são gradativamente
aumentadas. Esta adaptação deverá ser repetida sempre
que houver interrupção no fornecimento da uréia;
·
Utilizar
somente a uréia pecuária (46,5% N);
·
A
uréia deve fornecer até 1/3 da proteína total da
ração, completando-se o restante através de grãos
de cereais e/ou concentrados protéicos;
·
Evitar
o fornecimento a bovinos famintos, cansados, sedentos,
em jejum e a bezerros antes do desmame (6 – 8 semanas
de idade);
· Utilizar
preferencialmente para animais em regime de engorda
em confinamento. No caso de animais em mantidos
em pastagem, só quando houver boa disponibilidade
de forragem (4 – 6 t/MS/ha);
·
Utilizar
somente mistura bem homogênea, com a uréia totalmente
dissolvida, tendo-se o cuidado de constatar através
do tato se existem grãos de uréia intactos;
·
A
diluição de uréia em excesso de água, pode ocorrer
o acúmulo da solução no fundo do cocho, a qual,
uma vez ingerida, acarretará a intoxicação dos animais,
mesmo que estes já estejam adaptados;
·
Fornecer
água à vontade aos animais;
·
Conservar
a uréia em sacos plásticos e em locais frescos e
ventilados. O período de armazenagem não deve exceder
a 6 meses.
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| Métodos
de utilização |
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· Melaço
+ Uréia – na proporção de 9:1, somente para
bovídeos. Os cochos devem possuir uma grade flutuante
para evitar o consumo excessivo.
·
Silagem
+ Uréia –
5 kg de uréia/ton. de silagem. Deve ser adicionada
no instante da ensilagem ou durante o fornecimento
aos bovinos. Não é aconselhável o uso de uréia na
silagem de capim elefante, pois é necessário desidratá-la
até 45% de matéria seca.
·
Concentrados
+ Uréia –
3 kg uréia/100 kg da mistura de concentrados à base
de milho, sorgo, soja ou resíduos protéicos.
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Período
de adaptação e quantidade de uréia no concentrado
por an/dia
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Adaptação
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Uréia
g/100 kg pv
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1a
Semana
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10
g
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2a
Semana
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20
g
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3a
Semana
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30
g
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4a
Semana
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40
g
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| ·
Volumosos
+ Uréia
–
1
kg de uréia/100 kg de volumoso. A mistura deve ser
bastante homogênea.
A uréia é ministrada à razão de 100 a 200 g/animal/dia,
enquanto que o consumo da mistura é em torno de 10
a 20 kg/animal/dia. No caso de Cana + Uréia, recomenda-se
utilizar nas seguintes quantidades: |
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Quantidades
necessárias para serem adicionadas a 100 kg
de cana picada
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Período
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Nível
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Uréia
+ SA1
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Uréia
+ Gesso2
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Adaptação
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0,5%
|
450
g +50 g
|
400
g + 100 g
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Rotina
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1,0%
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900
g+ 100 g
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800
g+ 100g
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Fonte
de enxofre: 1 - Sulfato de amônia 2 - Gesso (Sulfato
de cálcio)
Sal
+ Uréia – recomenda-se o seguinte esquema:
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Componentes
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SEMANAS
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1a
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2a
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3a
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Sal
comum
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6
kg
|
5
kg
|
4kg
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Sal
mineral
|
2
kg
|
2
kg
|
2
kg
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Farinha
de ossos ou fosfato bicálcico
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1
kg
|
1
kg
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1kg
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Uréia
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1
kg
|
2
kg
|
3
kg
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| Toxidez |
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O
consumo de grandes quantidades de uréia em períodos
curtos pode ser letal, principalmente quando o animal
não recebeu adaptação. Dosagens de 40 a 50 g/100
kg de peso vivo podem ser fatais para animais não
acostumados ao consumo da uréia, o que representa
0,4 a 0,5 g/kg de peso vivo.
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| Sintomas
de Intoxicação |
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Quando
os níveis de uréia são fornecidos superiores aos
indicados, os sintomas de intoxicação podem aparecer
até 60 minutos após a ingestão. Os sintomas se caracterizam
por apatia, convulsões, respiração ofegante, tremores
musculares, secreção salivar excessiva, ranger de
dentes, dores abdominais, mucosas congestas, batimentos
cardíacos acelerados, meteorismo, tetania e morte
(30 minutos a 2 horas) após a ingestão.
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| Tratamento |
-
Solução
a 5% de ácido acético ou vinagre, por via oral
(até 6 litros/animal); após um período de 3
a 6 horas repetir o tratamento se necessário,
utilizando-se uma dosagem correspondente à metade
da primeira;
-
Aplicar
injeções endovenosas de glicose e cloreto de cálcio,
na proporção de 250 ml de cada um dos produtos;
-
Utilizar antitóxicos, via oral;
- Animais já prostrados
e com tetania e convulsão dificilmente respondem
ao tratamento.
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Fonte:
| JOÃO AVELAR MAGALHÃES
Embrapa Meio-Norte: avelar@ |
| EXPEDITO
AGUIAR LOPES – Embrapa Caprinos:
ealopes@cnpc.em |
| RAIMUNDO
BEZERRA DE ARAÚJO NETO – Embrapa
Meio-Norte: rbezerra@cpamn.embrapa.br |
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