A
fotossíntese é o processo utilizado pelas plantas para crescer.
É a partir dela que o milho produz os grãos, a mandioca, sua raiz
e o capim, as folhas que alimentam os bois. A fotossíntese utiliza CO2,
água e luz para produzir o açúcar que as plantas aproveitam
para construir cada uma de suas partes.
Faz
décadas que os cientistas estudam o efeito de aumentos na concentração
de CO2 sobre a fotossíntese. Nesses estudos as plantas são colocadas
em estufas de vidro e cultivadas com maior quantidade de CO2. O resultado é
que as plantas crescem mais rápido.
Baseando-se
nesses resultados, os cientistas acreditavam que o aquecimento global deveria
resultar em um aumento na produtividade dos vegetais. Se por um lado ele aumenta
a evaporação da água, fazendo com que o solo fique mais seco,
prejudicando o crescimento das plantas, os estudos indicavam que a "adubação"
causada pelo aumento da quantidade de CO2 deveria mais que compensar essa redução
de água.
O
resultado dessa conta levava os cientistas a prever que o aquecimento global não
deveria afetar a produção de alimentos.
O
problema é que esses estudos foram feitos em estufas, nas quais as condições
naturais não são mimetizadas perfeitamente. Nos últimos anos
foi desenvolvido um método que permite que se aumente a concentração
de CO2 em uma área específica no meio de uma plantação
a céu aberto. Para tanto os cientistas usam um sistema que libera o CO2
em diversos pontos da plantação ao mesmo tempo em que um sistema
computadorizado mede a cada segundo sua quantidade e regula sua liberação.
Usando
sistemas desse tipo é possível estabelecer, no meio de uma plantação,
uma área onde as plantas, desde a semeadura até a colheita, estão
submetidas a uma maior concentração de CO2. Os resultados desses
estudos foram surpreendentes.
Apesar
de ainda se detectar um aumento da produtividade, esse aumento é quase
a metade do que se observa em estufas e bastante inferior ao necessário
para contrabalançar o efeito causado pela diminuição da quantidade
de água.
Se
os resultados forem confirmados, é possível prever que o aquecimento
global deve resultar na diminuição da produtividade das lavouras.
Em outras palavras, necessitaremos de uma área maior para produzir a mesma
quantidade de alimento.
As
pessoas que até agora se preocupavam somente com o aumento do nível
dos oceanos podem começar a se preocupar com a diminuição
da quantidade de alimentos. Mais uma razão para pararmos de queimar petróleo
o mais cedo possível.
Mais
informações em Food for thought: Lower-than-expected crop yield
stimulation with rising CO2 concentrations, na Science, volume 312, página
1.918, de 2006.
fernando@reinach.com
Biólogo