através
de convênios fajutos. Seu relatório incriminou entidades ligadas
aos invasores de terras.
Agora,
a Via Campesina está querendo executar a sentença. Espertamente,
arranjou um disfarce, a compra da Fazenda Santa Rita. Botou a Monsanto e um herbicida,
o glifosato, no meio da jogada. Usa a multinacional e o agrotóxico para
confundir a opinião pública e justificar sua violência contra
a democracia.
A malandragem
da Via Campesina parte de uma medida provisória, reeditada algumas vezes,
pela qual o governo, tanto FHC quanto Lula, legitimou o plantio de soja RR, transgênica,
no Rio Grande do Sul. Não havia saída, era fato consumado. Restava,
porém, outro problema: o herbicida glifosato, comercializado pela Monsanto
com o nome comercial Roundap, não tinha registro para uso específico
nessa variedade de soja RR.
Ocorre
que esse herbicida é o responsável pela enorme vantagem da soja
transgênica. Como funciona? Pulverizado sobre a cultura, após a emergência
das sementes, o defensivo mata todas as ervas invasoras, mas é inócuo
para a planta principal. Limpa a plantação do mato. Uma maravilha
da ciência.
Assim,
o Ministério da Agricultura regulamentou o uso, em pós-emergência,
do glifosato na soja RR. Fez sua obrigação. Duas questões,
uma econômica e outra técnica, poderiam ser levantadas. Primeiro,
sobre o favorecimento da Monsanto. Afinal, é dela a patente mundial do
herbicida Roundap.
Tal
patente, entretanto, caducou há mais de dez anos, caindo em domínio
público. A marca Roundap continua, claro, pertencente à Monsanto.
Mas a molécula básica do herbicida, o glifosato, está hoje
sendo comercializada, no Brasil, em 27 diferentes marcas comerciais, de variadas
empresas, nacionais e multinacionais. Quer dizer, quem quiser plantar a soja RR,
da Monsanto, pode utilizar o herbicida glifosato da Nortox, apenas para dar um
exemplo. Inexiste qualquer monopólio.
Em
segundo lugar, resta a dúvida técnica sobre a toxicidade do herbicida.
O glifosato tem registro oficial para uso, em pós-emergência, para
inúmeras culturas, incluindo silvicultura, fruticultura e, inclusive, na
capina de áreas urbanas. Sua molécula é pouco tóxica,
sendo rapidamente degradada por microorganismos. Curiosamente, descobriu-se que
seu uso pode aumentar a atividade microbiana no solo, pois o fósforo contido
em sua fórmula é reaproveitado para o metabolismo dos seres invisíveis.
O herbicida, grudado pelas argilas, não mostra mobilidade no solo, não
contaminando os lençóis freáticos. Todas essas informações
são conhecidas da agronomia nacional. John Giesy, do Departamento de Agricultura
do Canadá, publicou em 2000, na Environmental Contamination Toxicology,
ampla revisão sobre o tema, comprovando a relativa inocuidade do glifosato.
Não
se espera que os beócios da Via Campesina entendam de toxicologia de herbicidas.
Nem tampouco se permitirá que usem a máscara da mentira para disfarçar
seus propósitos fascistas. Não existe nada de errado no negócio
da Fazenda Santa Rita. O que eles querem, pela intimidação, é
calar a voz do Abelardo Lupion, ameaçando invadir-lhe a fazenda. Não
passarão.
Quem
garante são os produtores rurais, não somente os do Paraná,
mas de todo o País. Estão indignados. Mobilizam-se para defendê-lo.
Todos sentem que esse assunto está passando do ponto. Ninguém agüenta
mais esses justiceiros agrários. Será, pensam, uma antecipação
do que pode ocorrer a partir do ano que vem, caso Lula vença? Vão
tocar fogo no País? A resposta deveria ser oferecida à Nação
antes das eleições.