Maracujá
 
Características Gerais
É originário da América Tropical e pertence à família Passifloriaceae, que contem quase 200 espécies nativas do Brasil (Hoehns, 1946).Embora apresente grande variabilidade, os cultivos comerciais baseiam-se em uma única espécie, a Passiflora edulis f. flavocarpa,

conhecida como maracujá amarelo ou azedo. Essa espécie representa 95% dos pomares, pois apresenta qualidade dos frutos, vigor, produtividade e rendimento em suco.

A origem desse maracujá é bastante discutida.
Alguns pesquisadores a consideram uma planta nativa do Brasil, pois existem relatos do século XVI que mencionam um maracujá com frutos muito semelhantes.

Outros dizem que surgiu na Austrália, por mutação do maracujá com frutos roxos.

A palavra maracujá é de origem tupi e significa alimento em forma de cuia

O maracujazeiro é uma planta trepadeira de grande porte, lenhosa, vigorosa e de crescimento rápido, podendo atingir 10 m de comprimento e se fixam nos apoios por meio de gavinhas.

As folhas são lisas e pontiagudas e possuem de 3 a 7 lóbulos.
As flores são azuis com filamentos escuros, assemelham-se às orquídeas. Apresenta grande variação no tamanho, formato, peso, coloração e sabor dos frutos, porem todos os frutos são ricos em minerais e vitaminas, principalmente A e B.

Toda a planta, principalmente as folhas, possui propriedades calmantes, hipnóticas, analgésicas e antiinflamatórias, devido aos princípios ativos maracujina, passiflorine e calmofilase.

Devido a esses princípios é indicado em casos de nervosismo, ansiedade, espasmos gástricos de origem nervosa e inflamações na pele.

PARA FACILITAR O SONO: ponha 1 colher (de sopa) de folha em 1 xícara (de chá) de água bem quente. Cubra e coe depois de 10 min. Adoce com mel e beba antes de deitar.

COMO CALMANTE: ponha 2 colheres (de sopa) de folha em ½ l de água quente e ferva por 5 min. Coe e beba.

CONTRA COLICAS ABDOMINAIS: ponha 1 colher (de chá) de folha, 1 de flor de malva e 1 de menta em 1 xícara (de chá) de água bem quente. Coe depois de 10 min. Beba 2 ou mais xícaras durante o dia, em pequenos goles.

 
Histórico:

O Brasil é o primeiro produtor mundial de maracujá, com a produção concentrada nos seguintes Estados: Bahia, Sergipe, Pará, Minas Gerais e São Paulo.

Em São Paulo, os cultivos comerciais começaram na década de 60, inicialmente em Bebedouro e, depois, em Votuporanga, que chegou a ter 1.200 ha plantados. Mais tarde, a cultura se fixou no Vale do Ribeira.

Na década de 70, o mercado da fruta in natura monopolizava a comercialização do produto.

Em 1980, as indústrias extratoras de suco geraram uma demanda bem maior de furtas, em níveis economicamente compensadores, o que estimulou a expansão da cultura.

A área plantada no Estado passou de 250 ha para 840 ha, em dois anos.
Em 1983, o preço oferecido pela industria caiu acentuadamente em todo o país, provocando uma retração no plantio. Alto custo de implantação da cultura e preço baixo do produto, aliados ao alastramento da morte prematura das plantas fizeram com que houvesse uma estagnação das áreas de plantio em 1983 a 1986.

A partir de 1987, a área cultivada voltou a crescer, devido à maior valorização o preço da fruta in natura.

O nível de tecnificação da cultura é baixo, com uma produtividade média de 8 a 15 t/ha para o Estado de São Paulo. Em pólos produtivos da região de Presidente Prudente, já foi alcançada produtividade de 50 t/ha.
As causas da baixa produtividade ainda não estão suficientemente definidas, daí a importância de pesquisas nessa área.

A espécie comercial mais importante é a Passiflora edulis e sua variedade botânica P. edulis f. flavocarpa, conhecidas por maracujá-roxo e maracujá-amarelo respectivamente.

Ultimamente, tem-se plantado maracujá-doce P. alata para consumo in natura , mas o maracujá-amarelo ainda domina o mercado.

A década de 90 foi marcada pela valorização do preço da fruta fresca e a modificação do habito de consumo: por um longo período, cerca de 30% da produção era destinada ao mercado de fruta fresca e 70% para a industria de sucos. Atualmente, a situação está quase invertida (Silva, 1998) e mais da metade da produção nacional destina-se ao mercado interno de frutas.

 
Características da Espécie:

Maracujá amarelo ou azedo: Passiflora edulis Sims f. flavocarpa - é o mais conhecido e o mais cultivado.

Sua utilização na forma de suco é muito apreciada.
O fruto é do tipo baga, de forma oval ou subglobosa, variando muito quanto ao tamanho e coloração da polpa. Tem em média 7 cm de comprimento por 6 cm de largura e peso entre 44 e 160 g.

A casca é coriácea e de cor amarelo intenso no fim do amadurecimento.
É um fruto carnoso, com as sementes cobertas pelo arilo (mucilagem) onde se encontra um suco amarelo-alaranjado muito aromático e nutritivo.
O suco possui de 13 a 18% de sólidos solúveis, cujos principais

omponentes são os açúcares (sacarose, glicose e frutose), enquanto da acidez, o ácido cítrico predomina (Durigan, 1998). Possui de 200 a 300 sementes em cada fruto.

Maracujá roxo: Passiflora edulis Sims pode ser utilizado para suco ou como fruta fresca.

É a variedade mais cultivada na Austrália e na África do Sul.

O fruto é redondo, com a cor da casca verde, antes da maturação, púrpura após o inicio do processo e quase preta quando maduro.
Possui cerca de 4 a 5 cm de diâmetro, com peso variando de 35 a 130 g.
No Brasil é produzido em pequena escala, pois não possui colocação no mercado atacadista.

Seu suco possui menos acidez e maior teor de vitamina C (20 a 60 mg/100g). Esse maracujá prefere regiões de clima frio e de elevadas altitudes.

Maracujá doce: Passiflora alata - se difere das demais espécies comerciais pelos frutos, que são ovais ou periformes, com casca muito alaranjada, lembrando um mamão papaya.

Em campo, antes da frutificação, pode ser diferenciado pela seção quadrangular do caule.

As flores são altamente ornamentais e possuem um comportamento característico permanecendo abertas durante o dia todo.

Elas abrem ao amanhecer e fecham à noite, faz-se necessário maior atenção quanto ao horário de tratamentos fitossanitários, para não prejudicar os insetos polinizadores.

O peso dos frutos varia de 80 a 300 g, com comprimento médio de 10,5 cm e 8 cm de largura.

A polpa é adocicada com forte e agradável odor, mais enjoativa se utilizada na forma de suco, por isso, tem sido consumido exclusivamente como fruta fresca, sendo o principal mercado consumidor o Estado de São Paulo.

Segundo Ruggiero et al. (1996), o tamanho do fruto, a coloração externa e o aroma são características bastante atrativas para o mercado europeu.

Como a fruta é completamente desconhecida naqueles países (é uma fruta originaria do Brasil), trata-se de uma opção para exportação, mas com um mercado a ser conquistado.

 
Variedades:

Em função das variedades de maracujá amarelo já selecionadas, algumas em fase de pré lançamento, a existência de sementes comerciais para plantio da próxima safra deve ser uma realidade.

Atualmente, já é possível encontrar material geneticamente superior, principalmente na Região Sudeste, resultantes do esforço de alguns produtores e pesquisadores.

Eles já integram pomares comerciais, principalmente paulistas, mineiros e cariocas, necessitando maiores estudos sobre seu comportamento nas demais regiões brasileiras.

Alguns cultivares:

Composto IAC-27

É uma população melhorada (pesquisas do IAC), que oferece um acréscimo de até 100% na produtividade atualmente obtida, se acompanhada de boa tecnologia de produção.

Os frutos resultantes correspondem ao padrão 2 A e 3 A do mercado atacadista de frutas frescas em São Paulo, com mais de 51% de polpa e teor de sólidos solúveis totais superior a 15º Brix e com 330 a 400 sementes por fruto.

Em pomares comerciais da região de Marilia, as plantas têm apresentado razoável tolerância de campo às principais doenças foliares.
A produtividade média obtida durante as safras de 1996 e 1997, foi de 45 t/ha/ano, conforme as condições de cultivo e polinização artificial a que foram submetidos seus componentes.

Esse material permanecerá à disposição dos produtores por mais algumas safras, quando então dará lugar aos híbridos IAC, em fase de pré - lançamento.

Híbridos ‘IAC Serie 270’ (IAC-273; IAC-275; IAC-277)

Esses híbridos foram obtidos pela continuidade do programa que produziu o Composto IAC-27.

Os frutos dos três híbridos da Serie 270 são bastante semelhantes entre si, por isso, recomenda-se cultiva-los juntos, no mesmo campo, o que beneficia a polinização e o pegamento dos frutos.

Em média, apresentam frutos com 190 g de peso, 8,8 cm de comprimento e 7,3 cm de largura, mais de 370 sementes por fruto, proporção de 51% de polpa e um teor de sólidos solúveis totais médio anual de 15,2º Brix, com polpa alaranjada.

A produtividade média foi de 50 /ha, sob polinização manual complementar.

** Há ainda, duas outras seleções de P. edulis extensamente cultivadas na Região Sudeste, com características interessantes para o mercado local, conhecidas por Maguary e Sul Brasil.

Maguary

Trata-se de uma seleção destinada a industria, resultante da parceria das empresas Bioplanta e Maguary.

Esse material, apesar de apresentar grande variação, possui as seguintes características básicas: plantas muito vigorosas, com razoável tolerância à bacteriose e antracnose, produtividade média de 73 kg/planta (variando de 28 a 126 kg), frutos com peso médio de 145 g (variando de 28 a 450 g), polpa de coloração amarelo forte à alaranjada, rendimento em suco na ordem de 42%, com um teor de sólidos solúveis totais médio anual de 14,5º Brix e acidez média anual de 3,5%.

A casca apresenta coloração com tons de púrpura, o que, aliado ao menor tamanho dos frutos, torna-os pouco atrativos para o mercado de frutas frescas (Silva, 1998).

Sul-Brasil

Foi selecionado para produzir frutos grandes, de bom aspecto para o mercado in natura e com polpa de coloração mais atraente.

Essas plantas produziram, em Marilia, em média, 4 a 5 caixas por ano, com frutos grandes, mas de casca bem grossa, com comprimento médio de 10 cm, largura de 7 cm, peso médio de 300 g, chegando até o tipo 4 A, que corresponde a 36 frutos por caixa K, muito bom para o mercado de frutas frescas. As características internas variam bastante, com rendimento do fruto sem suco de 19 a 38%, e o teor de sólidos solúveis totais de 10 a 16,3º Brix (Silva, 1998).

Maracujá Doce

A seleção realizada por produtores tem sido a mais eficiente, tendo-se identificado plantas produtivas e com frutos de mais de 350 g de peso, ovais, amarelo-alaranjados, com sabor e aroma agradáveis (Silva, 1998).

Pela multiplicação vegetativa, é possível obter material propagativo em larga escala, uniforme quanto à qualidade dos frutos.

 
Tecnologia de Produção :

I - CLIMA E SOLO:

O maracujazeiro prefere regiões tropicais e subtropicais, se desenvolvendo bem em regiões com altitudes entre 100 e 900 metros, com temperatura média anual entre 20 e 32º C, umidade relativa baixa e precipitação de 800 a 1700 mm, bem distribuídos ao longo do ano.

Chuvas intensas no período de floração dificultam a polinização, pois o grão de pólen estoura em contato com a umidade. Ventos frios afetam o florescimento, interferindo no vingamento dos frutos.

Ventos quentes e secos causam murchamento, e diminuem a quantidade e qualidade dos frutos produzidos.

Deve-se plantar em solos areno-argilosos, profundos e bem drenados.
Não utilizar baixadas, solos pedregosos ou com possibilidade de encharcamento, que favorecem a incidência de doenças do sistema radicular.

O maracujazeiro se desenvolve bem em qualquer condição topográfica, exceto em condições de solo plano de várzea, onde há alagamento durante um certo período.


II - QUEBRA DE VENTOS:

Para diminuir a ação dos ventos, recomenda-se o uso de quebra-ventos.
Devido à falta deste ou seu uso incorreto, muitos pomares tem sido prejudicados e até inutilizados.

O quebra-vento deverá estar bem desenvolvido no momento da instalação do pomar, sem o qual, segundo Rizzi et al. (1998), o controle de doenças fúngicas e bacterianas torna-se economicamente inviável.

Ele deverá ser permeável para não formar um turbilhamento após a barreira, que seria prejudicial à cultura.

O quebra-vento protege uma área equivalente a 15 ou 20 vezes a altura da planta utilizada para esse fim (Riggiero et al., 1996).

Algumas sugestões de plantas para utilização em quebra-vento: bambu, grevílea, pinus, hibiscos, eucalipto citriodora; e, pode-se utilizar espécies com flores amarelas ou atrativas (cássia e a coriola) associadas às anteriores, pois as primeiras atraem as mamangavas e as outras as abelhas.


III - PROPAGAÇÃO:

A propagação do maracujazeiro se faz normalmente com sementes.
Estas devem ser retiradas de plantas previamente selecionadas, que se mostrem vigorosas, produtivas, precoces, resistentes a doenças e pragas, originarias de frutos grandes, maduros, com grande percentagem de suco e boa qualidade.

As sementes podem secar no interior dos frutos ou serem colhidas e colocadas em recipiente de vidro ou louça para fermentar. Essa fermentação tem a finalidade de facilitar a separação das sementes da mucilagem.

Para esse processo exigi-se geralmente, um período de dois a seis dias. Depois, as sementes devem ser lavadas e colocadas em um jornal para secar, à sombra.

Para a retirada da mucilagem pode ser usado também um liquidificador.
As sementes devem ser utilizadas logo após o período de secagem, visto que a sua viabilidade é curta. Para reduzir o problema de incompatibilidade na lavoura, o fruticultor deve retirar e plantar sementes de vários frutos colhidos em diferentes plantas, e não de muitos frutos de poucas plantas.


IV - PLANTIO:

Em regiões quentes, onde a cultura será implantada com irrigação ou onde chove o ano inteiro, a semeadura pode ser realizada durante o ano todo.

Em regiões onde ocorrem geadas freqüentes, é preferível semear cerca de dois meses antes do inicio da estação chuvosa. Há preferência para semeadura nos meses de janeiro-fevereiro, ou pra junho-julho, neste caso, com a colheita de uma safrinha.

Plantando-se no campo em outubro-novembro, pode-se obter uma safrinha de maio-agosto seguintes e uma grande safra posteriormente, de dezembro a agosto, em locais quentes.

Em regiões de clima ameno, a safrinha é reduzida ou inexistente e a produção propriamente dita se inicia apenas em dezembro, porem sem riscos de perda por geada.

A obtenção das três safras econômicas para a cultura depende, também, da eficiência no controle de pragas e moléstias e do estado nutricional das plantas, que definem o momento de eliminação e/ou renovação do pomar (São José et al., 1994).

O espaçamento deve ser de 5 a 6 metros entre plantas e de 3 a 4 metros entre as ruas (espaldeira), com esse espaçamento são necessárias de 500 a 666 mudas/ha.

As covas devem possuir dimensões de 100 x 40 x 40 cm ou sulcos de 50 cm de profundidade (aberto com o sulcador).


V - CALAGEM E ADUBAÇÃO:

De acordo com a analise de solo, deve-se elevar a saturação por bases a 80%, se possível com calcário dolomítico.

Deve ser aplicado a lanço em toda a área, sendo metade da dose antes da aração e a outra metade incorporada com a gradagem.
A adubação orgânica é uma pratica importante para manter a produtividade do solo, pois exerce efeitos benéficos sobre suas propriedades físicas, químicas e biológicas.

As quantidades a serem aplicadas nas covas de plantio, principalmente em solos arenosos e de baixa fertilidade, variam de acordo com o tipo de adubo empregado, ou seja, esterco de curral, esterco de galinha e torta de mamona, podendo-se utilizar outros compostos disponíveis na região ou propriedade.

Acredita-se que, se forem aplicadas quantidades razoáveis de matéria orgânica na cultura, dificilmente ocorrerá deficiência de algum nutriente.
Os adubos, em um pomar em formação, devem ser distribuídos em uma faixa de uns 20 cm ao redor e distante uns 10 cm do tronco, aumentando gradativamente essa distancia com a idade do pomar.

Nos pomares já adultos, aplica-se em uma faixa de 1 m de largura em ambos os lados das plantas ao longo das espaldeiras, longe o suficiente dos troncos onde as raízes pequenas e absorventes são poucas.

O sucesso da adubação depende tanto da quantidade adequada quanto da época (sempre consulte um Engenheiro Agrônomo) e da localização do calcário e dos fertilizantes aplicados.

Alem disso, a aplicação dos adubos deve ocorrer em períodos de boa umidade no solo. Recomenda-se fazer, anualmente, a analise química do solo a fim de mantê-lo com níveis adequados de nutrientes.


VI SISTEMA DE CONDUÇÃO:

O maracujazeiro precisa de uma estrutura que o sustente, porque seu caule é semilenhoso e não permite auto-sustentação.

Um sistema de condução adequado deve propiciar boa distribuição dos ramos, facilitar os tratos culturais e permitir melhor insolação dos ramos produtivos.

Essa estrutura é, normalmente, construída por mourões de madeira e arame liso, denominada espaldeira.

Espaldeiras com 1 fio de arame liso número 8 ou 10, fixo em mourões de 2 m de altura (alem de 50 cm enterrados), espaçados entre si por 5 ou 6 m. o comprimento Maximo dessas linhas não deve ultrapassar 100 metros. Deve-se fazer um reforço nas cabeceiras.


VII - PODAS:

NA frutificação do maracujazeiro ocorre em ramos novos, por essa razão a poda se faz necessária, de modo a possibilitar produções satisfatórias.
A poda também é exigida pelo intenso desenvolvimento da planta, que origina uma densa massa vegetal, favorável, muitas vezes, ao surgimento de pragas e doenças, alem de provocar o aumento de peso a ser sustentado pelo sistema de condução (espaldeira).

1) Poda de formação: deve-se conduzir a muda em haste única, desbrotando periodicamente até que ultrapasse o arame de sustentação em 20 cm. Depois disso, deve-se eliminar o broto terminal (despontar) para forçar a formação dos brotos laterais, com isso escolhe-se duas das brotações laterais para formar os cordões horizontais, um para cada lado da planta. Manter todas as brotações surgidas desses cordões, pendendo livremente na vertical (cortina produtiva), eliminando-se as gavinhas até 60 cm abaixo do arame.

2) Poda de produção: deve ser feita no inicio da brotação primaveril, com umidade no solo. Os ramos da cortina produtiva deverão ser cortados 60 cm abaixo do arame, para arejar o ambiente, evitando assim pragas e doenças. Os ramos cortados devem ser secos no local e depois retirados e queimados.


VIII - POLINIZAÇÃO:

*Polinização natural
O maracujá amarelo apresenta auto-incompatibilidade, ou seja, é incapaz de produzir sementes quando polinizado com o próprio pólen.
Alem disso, mostra grande fracasso na polinização pelo vento, devido ao grande peso e à viscosidade do grão de pólen, necessitando, portanto, de um agente transportador.

O agente polinizador mais eficiente é a mamangava.
Por ser de grande porte, ao visitar a flor do maracujá, encosta seu dorso nos estames onde estão os grãos de pólen, fazendo a retirada destes e levando-os para o estigma, com o que efetuam a polinização.

Portanto, é muito importante a preservação e incremento da população de mamangavas, mediante a construção de abrigos, usando preferencialmente tocos secos de bambu e o plantio de espécies que produzam flores atrativas.

Se forem usados produtos químicos no controle de pragas e doenças, estes deverão ser aplicados pela manha, para não comprometer os agentes naturais (mamangavas).

*Polinização artificial
Recomenda-se fazer a polinização artificial em plantios com mais de 10 ha, uma vez que a natural (mamangavas) se torna difícil, principalmente em grandes floradas.

A polinização artificial também é recomendada para pequenos plantios, quando a população de mamangavas é pequena.

Essa polinização é realizada no período da tarde, pois as flores do maracujá amarelo se abrem no período que vai das 12:30 h as 15:00 h, permanecendo abertas até às 18:00 h.

Um modo prático de avaliar a necessidade de polinização artificial ou o aumento da população de mamangavas é contar o numero de flores caídas.

Sabe-se que a flor do maracujá, após seu dia de abertura, fecha e cai, caso não seja fecundada.

Se a queda de flores por planta for acentuada, isso aponta a necessidade de incremento da polinização.

A polinização artificial é efetuada pelo homem com o auxilio de dedeiras de flanela com as quais transfere o pólen de uma planta para outra.

Recomenda-se fazer a polinização artificial nos períodos de maior floração e em apenas um dos lados de uma fileira formada por maracujazeiros, com orientado no sentido norte-sul, tendo em vista um maior rendimento.


IX - OUTROS TRATOS CULTURAIS:

As entrelinhas devem ser mantidas, permanentemente, roçadas, para evitar competição por água e nutrientes, além de algumas plantas daninhas serem hospedeiras de pragas do maracujá.

As linhas também devem ser mantidas no limpo, trilhando a mais ou menos 1 metro de cada lado do fio.

Recomenda-se um cuidado extra nessa fase devido às raízes do maracujazeiro serem espalhadas e pouco profundas, pois caso essas raízes sejam danificadas, pode haver a penetração de fungos de solo, os quais o maracujazeiro é altamente susceptível.

Assim, sempre que possível deve-se fazer capina manual com enxada na linha, ou química, e roçadeira nas entrelinhas.

A espaldeira deve ser escorada em áreas sujeitas a ventos ou fortes e no período de pico de produção (segundo ano).


X - COLHEITA:

O maracujá se solta da planta e cai no chão quando está maduro, o que determina o ponto de colheita.

Por esse motivo, os frutos destinados à industria são recolhidos manualmente do solo, de 2 a 3 vezes por semana, o que muitas vezes compromete sua qualidade.

Nesse estágio, já se encontram em inicio de senescência, murcham rapidamente e tem uma vida útil bastante curta. Frutos sujos de terra e que permanecem algum tempo em contato com o solo também apodrecem mais rápidos.

Para o mercado de frutas frescas recomenda-se colher os frutos 2 a 3 vezes por semana, quando ainda estão presos à planta, com um pequeno pedúnculo e coloração verde-amarelada.

Devem ser colocados em caixas e transportados à casa de embalagem, onde serão selecionados, lavados e tratados. A qualidade do produto é fundamental para esse mercado.

O maracujá atinge o ponto de colheita, em media, 55 dias após a abertura da flor, antes de se desprender da planta mãe. Nesse ponto, segundo Ruggiero et al. (1996), já atingiu o seu peso máximo, maior rendimento em suco e to teor de sólidos solúveis totais mais elevado
Quando é colhido mais tarde, ao cair no chão e com idade acima de 75 dias, murchará rapidamente, perdendo peso e apresentando acentuada redução em acidez e açúcares. Quanto mais cedo foi colhido, maior a vida útil do fruto.

O período de colheita do maracujá depende inicialmente das características climáticas regionais. Só há florescimento em condições de dias longos, com mais de 11 horas de luz.

Por isso, regiões equatoriais apresentam uma safra quase ininterrupta. Em regiões de maior latitude, a entressafra é causada pelos dias curtos de inverno, que interrompem a produção.

Geralmente, o maracujazeiro começa a produzir entre o sexto e o décimo mês após o plantio no campo, conforme a região.

Tem-se uma produtividade média de 20 a 40 t/ha, variando de acordo com a região, variedade, tecnologia, condição nutricional da planta, entre outros fatores.

* Muitas dessas informações foram retiradas do Boletim Técnico Nº 181 - Maracujá: Produção e Comercialização, das autoras e pesquisadoras do IAC, Laura Maria Molina Meletti e Maria Lucia Maia.


XI - CLASSIFICAÇÃO E EMBALAGEM:

Os frutos destinados ao mercado paulista de frutas frescas devem ser classificados e embalados em caixas tipo K, sem retorno, com cerca de 13 kg de fruto.

Segundo Rizzi et al. (1998), a classificação é feita para distinguir a qualidade dos frutos, o tamanho, a uniformidade de cor e a ausência de manchas causadas por doenças e pragas. Essa seleção possibilita melhor remuneração ao produtor.

A classificação do maracujá baseia-se no tamanho dos frutos, uma padronização que considera o numero de frutos colocados na caixa, o que define os padrões extra AAA, extra AA, extra A, extra e especial, e, ordem decrescente de qualidade.


Padrão de Classificação do Maracujá, adotado no mercado atacadista da CEAGESP,
para a caixa K, com dimensões internas de 495 x 355 x 220 mm

Classes
Nºde frutos
Tipo de acondicionamento
Fileiras
Nº frutos Camadas

Extra AAA

Até 75

3
5

5

Extra AA

75 a 90

3
6

5

Extra A

90 a 120

3
7

6

Extra

120 a 150

3
8

6

Especial

Mais de 150

4
9

7

Fonte: Rizzi et al., 1998.

Devido aos altos custos de embalagem, frete e taxa de comercialização, só tem compensado remeter frutos de qualidade para o mercado atacadista. Frutos de classes inferiores devem ser destinados ao processamento industrial.

Frutos destinados às industrias extratoras e ao mercado popular (sacolões) não precisam ser classificados. A embalagem mais utilizada para esses frutos é o saco de polietileno.

Atualmente, nesse mercado, a cotação ainda é fixada por peso, sem levar em conta o aspecto da fruta e a qualidade do suco.

A embalagem mais usada para o mercado de frutas frescas é a caixa K, sem retorno. Porém tem um alto custo, chegando a representar 20% da cotação alcançada pelo produto no mercado atacadista, vem sendo substituída por caixas de papelão ondulado ou plásticas.

* Muitas dessas informações foram retiradas do Boletim Técnico Nº 181 - Maracujá: Produção e Comercialização, das autoras e pesquisadoras do IAC, Laura Maria Molina Meletti e Maria Lucia Maia.


XII - COMERCIALIZAÇÃO:

Dentre os 481 produtores de maracujá do Estado de São Paulo, segundo dados do Censo de 1995/96, cerca de 13% destinaram sua produção para consumo próprio.

Do restante, 50% foram destinadas aos intermediários, 244% às cooperativas, 8% efetuaram venda direta ao consumidor e 3% comercializaram diretamente com a industria.

As vendas diretas do produtor para os supermercados tem assumido posição cada vez mais relevante no varejo de frutas e, também, tem surgido outros canais alternativos de comercialização.

Diante dessa situação, a organização do produtor em associações ou cooperativas é fundamental, o que lhe permite aumentar seu poder de barganha em relação àqueles a quem vende suas frutas.
Os principais intermediários entre o produtor e o consumidor final têm sido os atacadistas.

Os canais de distribuição mais comuns são as feiras-livres e os sacolões, que encaminham 79,5% do volume produzido.

Os 20,5% restantes são comercializados pelos supermercados (Pizzol et al., 1998)

A industria de suco de maracujá apresenta elevado grau de concentração, pois apenas três processadoras absorvem 92% da fruta destinada ao processamento.

Apenas os 8% restantes são direcionados aos demais, segundo dados de Pizzol et al. (1998)

Para efeito de cotação de preços, o maracujá-azedo comercializado na CEAGESP é classificado segundo os tipos A, B e C, que correspondem a tamanhos decrescentes, que vão de 75 frutos por caixa para o tipo A, de 75 a 90 para o tipo B e de mais de 90 para o tipo C o numero de frutos por caixa de cada uma dessas classes estabelece equivalência com a classificação já citada, adotada no mercado de frutas frescas, da seguinte maneira: o fruto tipo A corresponde ao Extra AAA, o tipo B é o Extra AA e o tipo C é o Extra A.

Quantidade e preço médio do maracujá-azedo comercializado no entreposto
terminal de São Paulo - CEAGESP - 1995-97

Item
1995
1996
1997

Quantidade(cx13kg)

1.841.153

2.306.479

1.873.921

Preço (US$/cx)

-
-
-

Tipo A

11,50

10,12

11,40

Tipo B

7,47

7,00

7,71

Tipo C

4,52

4,44

4,75

Fonte: CEAGESP, Boletim Anual, 1995-97

Diante das diferenças altamente significativas nos preços, nota-se que o mercado distingue e é capaz de oferecer maior rentabilidade ao produtor que se preocupa em manter a qualidade dos seus frutos, desde a produção até a comercialização. Nesse contexto, a classificação adquire uma grande importância para o bom produtor, pois através dela obtêm remuneração diferenciada.

Quando o produtor investe em uma semente geneticamente melhorada, capaz de lhe oferecer fruto de melhor qualidade e aumentar a proporção das classes superiores, também está diretamente agregando maior valor comercial ao seu produto. Em mercado que remunera pela qualidade, o uso de sementes selecionadas é altamente compensador.

O suco de maracujá é comercializado em concentrações de 14º Brix ou 50º Brix. O maracujá processado como polpa, geléia e néctar representam um mercado pouco significativo atualmente, quando comparado ao de suco.

No mercado externo, perspectivas de comercialização só existem a longo prazo, diante da concorrência de outros paises produtores e da impossibilidade, no momento, de se manterem estáveis a qualidade e a quantidade de oferta.

* Muitas dessas informações foram retiradas do Boletim Técnico Nº 181 Maracujá: Produção e Comercialização, das autoras e pesquisadoras do IAC, Laura Maria Molina Meletti e Maria Lucia Maia.

 
Fonte: Clube do Fazendeiro
 

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