16/maio/2005
UDR encaminha denúncia a Brasília
 

Thaís Orlandine

 

Cerca de 40 pecuaristas da região decidiram, na tarde de ontem (13), denunciar a "diferença" de pesos que têm constatado entre balanças de fazenda e de frigoríficos. O peso vivo, registrado nas propriedades, não tem registrado o rendimento padrão nas balanças dos frigoríficos, conforme contaram na reunião realizada às 16 horas, na sede do Sindicato Rural de Presidente Prudente. A denúncia será feita à Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado federal Ronaldo Caiado (PFL-GO). Os pecuaristas pretendem que a Comissão busque formas legais de obrigar os frigoríficos à usarem balanças que não sejam ligadas a computadores e sistemas informatizados, que, segundo afirmam, "possibilita a adulteração do peso".

A questão, levantada pelo Sindicato Rural de Presidente Prudente e União Democrática Ruralista (UDR), ainda aborda a necessidade de criação de instruções normativas que regulamentem o método de pesagem nos frigoríficos e a fiscalização destes sistemas por órgãos competentes.

Para o pecuarista Antônio Leal, 77 anos, a classe precisa se unir e se organizar para resolver os problemas. "A situação está difícil para todo mundo. Precisamos tomar providências", falou.

O mesmo pensa outro pecuarista, Marcos Meireles, 41. "O preço está estabilizado há três ou quatro anos. Nos últimos meses, sofreu queda de 15%. Não podemos trabalhar no vermelho", opna.

Meireles explica a diferença entre peso vivo e peso morto. O gado é pesado, vivo, na fazenda. Enviado para o frigorífico, ele passa pelo abate. São retirados itens como couro, barrigada e cabeça. O gado é dividido em duas bandas, que, somadas representa o peso morto, aferido no frigorífico."O padrão é que um bom animal nelore macho renda 55%. Ou seja, comparado ao seu peso vivo, o peso morto deve ser de 55%", falou.

Ele conta, porém, que muitos pecuaristas comentam que os animais têm rendido "muito abaixo do padrão", alcançando 43%, 45% ou 48%, em alguns casos. Para Nabhan, é improvável que um rebanho em fase de melhorias e aprimoramento genético, como o brasileiro, possa render cada vez menos.

Preço Já em relação ao preço da arroba do boi, a UDR apresenta dados e compara os valores praticados a 32 meses e atualmente. "Já vendemos por R$ 62,00. Estamos vendendo por R$54,00. È uma queda muito alta, ainda mais se comparada com a alta de até 150% em insumos neste período", fala o presidente nacional da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia, 46 anos.

Os pecuaristas cogitaram, durante a reunião, "segurar" as vendas de gado. A possibilidade, porém, foi descartada. Para o presidente da UDR que coordenou a reunião, o preço é influenciado por questões naturais de mercado, como a lei de oferta e procura. "Só oriento os pecuaristas a não venderem sem critérios. Espero que vendam apenas o necessário para os custeios, assim não haverá oferta em alta e os preços podem ser controlados", falou.

Questionado, Nabhan garantiu que o consumidor não será afetado por essa decisão. "Não é uma greve. Não vamos barrar as vendas. O que aconteceu foi que, com a estiagem, a pastagem ficou degradada e os custos ficaram altos. Muita gente vendeu mais gado do que o normal. Porém, agora é hora de estabilizar", falou.

Ele afirma ainda que, embora o preço da arroba do boi tenha caído, esta queda não foi sentida no varejo, ou seja, nos açougues. "O consumidor está pagando cada vez mais caro pela carne. Se quem produz está no prejuízo e quem compra, no fim, também está, precisamos saber quem está ficando com todo dinheiro deste mercado. Só um trabalho técnico pode indicar a resposta", encerrou.



 
Fonte: Jornal O Imparcial
 
 
 
 
 
 

 

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