|
Cerca
de 40 pecuaristas da região decidiram, na
tarde de ontem (13), denunciar a "diferença"
de pesos que têm constatado entre balanças
de fazenda e de frigoríficos. O peso vivo,
registrado nas propriedades, não tem registrado
o rendimento padrão nas balanças dos
frigoríficos, conforme contaram na reunião
realizada às 16 horas, na sede do Sindicato
Rural de Presidente Prudente. A denúncia
será feita à Comissão de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento e Desenvolvimento
Rural da Câmara dos Deputados, presidida pelo
deputado federal Ronaldo Caiado (PFL-GO). Os pecuaristas
pretendem que a Comissão busque formas legais
de obrigar os frigoríficos à usarem
balanças que não sejam ligadas a computadores
e sistemas informatizados, que, segundo afirmam,
"possibilita a adulteração do
peso".
A
questão, levantada pelo Sindicato Rural de
Presidente Prudente e União Democrática
Ruralista (UDR), ainda aborda a necessidade de criação
de instruções normativas que regulamentem
o método de pesagem nos frigoríficos
e a fiscalização destes sistemas por
órgãos competentes.
Para
o pecuarista Antônio Leal, 77 anos, a classe
precisa se unir e se organizar para resolver os
problemas. "A situação está
difícil para todo mundo. Precisamos tomar
providências", falou.
O
mesmo pensa outro pecuarista, Marcos Meireles, 41.
"O preço está estabilizado há
três ou quatro anos. Nos últimos meses,
sofreu queda de 15%. Não podemos trabalhar
no vermelho", opna.
Meireles
explica a diferença entre peso vivo e peso
morto. O gado é pesado, vivo, na fazenda.
Enviado para o frigorífico, ele passa pelo
abate. São retirados itens como couro, barrigada
e cabeça. O gado é dividido em duas
bandas, que, somadas representa o peso morto, aferido
no frigorífico."O padrão é
que um bom animal nelore macho renda 55%. Ou seja,
comparado ao seu peso vivo, o peso morto deve ser
de 55%", falou.
Ele
conta, porém, que muitos pecuaristas comentam
que os animais têm rendido "muito abaixo
do padrão", alcançando 43%, 45%
ou 48%, em alguns casos. Para Nabhan, é improvável
que um rebanho em fase de melhorias e aprimoramento
genético, como o brasileiro, possa render
cada vez menos.
Preço
Já em relação ao preço
da arroba do boi, a UDR apresenta dados e compara
os valores praticados a 32 meses e atualmente. "Já
vendemos por R$ 62,00. Estamos vendendo por R$54,00.
È uma queda muito alta, ainda mais se comparada
com a alta de até 150% em insumos neste período",
fala o presidente nacional da UDR, Luiz Antonio
Nabhan Garcia, 46 anos.
Os
pecuaristas cogitaram, durante a reunião,
"segurar" as vendas de gado. A possibilidade,
porém, foi descartada. Para o presidente
da UDR que coordenou a reunião, o preço
é influenciado por questões naturais
de mercado, como a lei de oferta e procura. "Só
oriento os pecuaristas a não venderem sem
critérios. Espero que vendam apenas o necessário
para os custeios, assim não haverá
oferta em alta e os preços podem ser controlados",
falou.
Questionado,
Nabhan garantiu que o consumidor não será
afetado por essa decisão. "Não
é uma greve. Não vamos barrar as vendas.
O que aconteceu foi que, com a estiagem, a pastagem
ficou degradada e os custos ficaram altos. Muita
gente vendeu mais gado do que o normal. Porém,
agora é hora de estabilizar", falou.
Ele
afirma ainda que, embora o preço da arroba
do boi tenha caído, esta queda não
foi sentida no varejo, ou seja, nos açougues.
"O consumidor está pagando cada vez
mais caro pela carne. Se quem produz está
no prejuízo e quem compra, no fim, também
está, precisamos saber quem está ficando
com todo dinheiro deste mercado. Só um trabalho
técnico pode indicar a resposta", encerrou.
|