01/julho/2005
Caiado: ruralistas continuarão negociando apoio adicional ao setor
 
Fabíola Salvador
 

Brasília, 1º - O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos deputados, Ronaldo Caiado (PFL-GO), afirmou que a bancada ruralista continuará negociando com o governo federal medidas adicionais de apoio ao setor agropecuário. As negociações devem ser retomadas na próxima semana. "Vamos exigir uma resposta do governo. Os produtores saíram de Brasília sem nada de concreto", afirmou. Essa também é a posição do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). "Os produtores foram embora de Brasília só com promessas", disse Perondi.

Cerca de 20 mil produtores de todo o País, segundo os organizadores do tratoraço, fizeram uma manifestação em Brasília nesta semana para alertar o governo e a sociedade sobre a crise pela qual passa o setor. Durante o ato, o governo comprometeu-se a liberar R$ 3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que os produtores possam quitar débitos com os fornecedores de insumos. Os produtores pediram também a renegociação de suas dívidas e o reajuste do preço mínimo do arroz. Esse valor, hoje em R$ 22 por saca de 50 quilos, serve de base para as medidas de apoio à comercialização. O governo aceitou elevar o valor para R$ 23, mas os produtores querem R$ 24.

Perondi lembrou que o câmbio prejudica a atividade agrícola. Quando os produtores cultivaram a safra atual, 2004/05, o dólar estava cotado a R$ 3,20. Hoje, no período de colheita, a cotação está em torno dos R$ 2,40. Os agricultores também reclamam da quebra de safra, do aumento dos custos de produção e do recuo dos preços internacionais dos principais produtos agrícolas.

O parlamentar gaúcho também criticou o plano de safra para 2005/06, anunciado na semana passada. No total, serão oferecidos R$ 44,35 bilhões para os agricultores, que começam a cultivar a nova safra em meados de setembro. "O problema é que a maioria dos produtores não pode obter esses recursos por conta da inadimplência. Sem renegociação das dívidas, esse plano de safra é inócuo", reclamou Perondi.

 

 
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
 
 
 
 
 

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