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negociações com o Governo
na busca de atendimento às demandas
apresentadas pelo setor rural no final de
junho, quando mais de 25 mil produtores
rurais realizaram na Esplanada dos Ministérios
a manifestação Tratoraço:
O Alerta do Campo. Eu daria nota três,
numa escala de zero a dez, para o que o
Governo ofereceu, em relação
ao que precisávamos, disse
Carlos Sperotto, em entrevista coletiva
realizada na tarde desta quinta-feira na
sede da CNA, em Brasília. O
Brasil, que colheu 123 milhões de
toneladas de grãos na safra 2002/2003,
corre o risco a voltar a ter uma produção
de dois dígitos, alertou Sperotto.
Para
os produtores, sobrou insatisfação
quanto à forma com que o Governo
está tratando o setor rural, afirmou
Sperotto. Ele ressalta que os pontos positivos
obtidos nas negociações foram
a liberação de R$ 3 bilhões
de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) para renegociação de
dívidas entre produtores e fornecedores,
a prorrogação do custeio da
safra, para as culturas de arroz, soja,
algodão, trigo, milho e sorgo, na
região Centro-Oeste e no Estado da
Bahia, envolvendo R$ 1,8 bilhão;
e o compromisso da regulamentação
da importação de agroquímicos
do Mercosul e das operações
de drawback agropecuário, embora
ainda falte a devida regulamentação
para essas duas últimas medidas entrarem
em vigor.
Até
mesmo esses pontos positivos foram insatisfatórios,
disse Sperotto, lembrando que originalmente
o Governo havia prometido R$ 4 bilhões
de recursos do FAT para renegociação
de dívidas entre produtores e fornecedores
de insumos. Ao final, somente R$ 3 bilhões
foram ofertados. A boa notícia é
que foi publicada a regulamentação
da operação, o que significa
que na próxima semana as operações
de crédito com recursos do FAT finalmente
poderão começar a ser contratadas.
Sperotto lembrou também que a prorrogação
de custeio, ao atender apenas a Bahia e
a região Centro-Oeste, deixa a descoberto
vários outros produtores, que também
enfrentaram frustração de
safra e perda de renda. Os produtores
de trigo, por exemplo, também precisariam
ter acesso a prorrogação do
custeio, o que não chega a R$ 200
milhões, afirmou Sperotto.
O Estado do Tocantins, que ano a ano vem
ampliando sua produção agrícola,
não foi atendido.
A
quantidade de reivindicações
que ficaram pendentes ou foram negadas é
bem maior que a das solicitações
efetivamente atendidas. A renegociação
de dívidas de securitização,
PESA, Recoop e Fundos Constitucionais foi
negada, assim como o aumento dos limites
de custeio para a próxima safra.
A proposta de liberação de
garantias de dívidas rurais foi aceita
pelo Governo, que criou um grupo de trabalho
para discutir o tema. O problema é
que houve apenas uma reunião do grupo,
e não há avanços nessas
negociações. Na prática,
as garantias continuam comprometidas, impedindo
produtores a acessar novos créditos.
O trabalho está muito lento,
disse Sperotto. Indefinição
semelhante envolve a proposta de suspender
as execuções judiciais das
dívidas a serem renegociadas, assunto
que está sendo debatido em grupo
de trabalho específico, sem qualquer
conclusão prática até
o momento. A CNA acredita que a promessa
de alocar R$ 10 milhões para subvenção
ao prêmio do seguro rural será
cumprida. Trata-se de compromisso
pessoal do Presidente da República,
conforme nos foi dito quando estivemos em
reunião no Palácio do Planalto,
disse Homero Pereira. Da pauta do
Tratoraço, foram atendidas poucas
coisas, e não por inteiro,
resumiu Sperotto.
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de Comunicação da CNA
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