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assessoria de imprensa, confirmou, ontem, que liberou
um crédito de US$ 80 milhões para
o Friboi comprar "no mínimo 75% da Swift
Armour S.A.". A operação é
histórica.
É
a primeira vez que a instituição aprova
financiamento deste tipo. O empréstimo não
será feito com recursos do FAT, mas com captações
internacionais do BNDES, empréstimo que terá
condições de reajuste diferentes,
baseadas numa cesta de moedas.
Luiz
Antonio Nabhan Garcia, presidente da UDR Nacional,
afirmou que a organização pedirá
ao banco a confirmação da operação
e que entrará com uma ação
popular na Justiça Federal, em Brasília.
Segundo a assessoria jurídica da UDR, a ação
virá acompanhada de medida cautelar incidental
a partir da qual pedirá uma liminar para
impedir a liberação de recursos para
o Friboi.
"O
primeiro passo é bloquear qualquer liberação
de recursos. A partir daí, vamos discutir
o mérito da questão. A UDR considera
ilegal o banco de desenvolvimento do Brasil financiar
a compra de uma empresa concorrente na Argentina.
É
um absurdo, uma incoerência, quando temos
várias empresas brasileiras solicitando recursos
do banco sem sucesso", reagiu Garcia. Os advogados
da organização ruralista alegam que
a operação é vetada no estatuto
do banco.
Na
semana passada, a UDR havia reagido à informação
de que as negociações estavam em fase
final e que o BNDES participaria com aporte de recursos.
"Apresentamos uma queixa às comissões
de agricultura do Congresso Nacional, tanto na Câmara
dos Deputados como no Senado Federal", disse
Garcia. Segundo ele, ao financiar a compra, o BNDES
auxilia com recursos nacionais o desenvolvimento
das exportações da Argentina.
Garcia
não quis antecipar o nome, mas disse que
a UDR conhece o caso de uma empresa que buscava
recursos para investimento no Peru e não
conseguiu.
MOTIVOS
O
BNDES apresentou pelo menos três razões
para ter aprovado a primeira operação
de financiamento de compra de ativos por empresas
de capital nacional no exterior. Segundo o banco,
a iniciativa ajuda a expandir as exportações
brasileiras de carne, já que o Friboi poderá
aproveitar os mercados atendidos pela Swift Armour,
como os Estados Unidos, ou mesmo completar o portfólio
de produtos produzidos no Brasil.
Além
disso, o Friboi terá de gerar divisas para
o País. O BNDES fixou em uma vez e meia o
valor liberado, ou US$ 120 milhões, e afirma
que entre as alternativas da empresa para obter
esse nível de retorno está a utilização
de tecnologias de enlatados e embutidos de carne
nas unidades industriais do Brasil.
A
aprovação da operação
também considerou o aspecto concorrencial
como motivo para amparar o negócio. A compra
do frigorífico Swift pelo Friboi impediu
a entrada de concorrentes internacionais no mercado
argentino, alegou o BNDES.
Segundo
o banco, o ingresso de companhias internacionais
na Argentina "reduziria as vantagens competitivas
do grupo brasileiro".
Com
a compra, o Friboi se torna um dos maiores frigoríficos
da América do Sul. No primeiro semestre deste
ano, o Friboi respondeu por 20% das exportações
brasileiras de carne bovina, que somaram US$ 1,793
bilhão.
A
aquisição da Swift, além de
tornar o Friboi a primeira multinacional brasileira
do setor de carne, dá à empresa um
ativo que exporta 70% da produção
para mais de 70 países, o que corresponde
a 56% de carnes cozidas congeladas e 68% de carnes
enlatadas.
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