01/setembro/2006
Ato de excluídos vai mirar política econômica de Lula
Manifestações no 7 de Setembro apontarão privilégio aos bancos
 
Roldão Arruda
 

As manifestações do Grito dos Excluídos, previstas para o dia 7 de setembro, devem contestar a política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo os organizadores, ao privilegiar o capital financeiro e o pagamento das dívidas interna e externa, o governo contribuiu para aumentar a exclusão social.

Ontem, em entrevista em São Paulo, Luiz Bassegio, da coordenação nacional do Grito, lembrou que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o País registrou em julho a maior taxa de desemprego dos últimos 15 meses, chegando a 10,7% da população economicamente ativa.

O Grito dos Excluídos, em sua 12.ª edição, é organizado pelo Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o apoio de movimentos sociais. Realizado sempre no 7 de Setembro, é marcado por caminhadas, desfiles, romarias e debates. O lema do Grito neste ano é: Brasil - Na Força da Indignação, Sementes da Transformação.

Em São Paulo, grupos de diferentes paróquias sairão em caminhada no dia 5, em direção à Praça da Sé, onde se encontrarão no dia seguinte. Na manhã do Dia da Independência assistirão a uma missa, celebrada pelo arcebispo d. Claudio Hummes, e de lá seguirão para o Monumento do Ipiranga. O ato terá a participação de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST).

Uma das principais manifestações do País está prevista para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São Paulo. São esperadas cerca de 10 mil pessoas para o ato.

Na entrevista de ontem em São Paulo, o bispo d. Luiz Demétrio Valentini, da Pastoral Social da CNBB, avaliou que o principal desafio do próximo presidente será encontrar meios para que a economia volte a crescer. "O Brasil não pode estagnar", argumentou.

D. Demétrio também defendeu a necessidade de fortalecer a democracia direta, por meio de plebiscitos, referendos, assembléias populares. "Durante o grito vamos valorizar o processo democrático, pedindo às pessoas que não anulem seu voto e evitem o apoio a candidatos comprovadamente envolvidos em casos de corrupção. Mas isso não basta. É preciso fortalecer a democracia direta."

 
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
 
 

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