As
manifestações do Grito dos Excluídos, previstas para o dia
7 de setembro, devem contestar a política econômica do governo Luiz
Inácio Lula da Silva. Segundo os organizadores, ao privilegiar o capital
financeiro e o pagamento das dívidas interna e externa, o governo contribuiu
para aumentar a exclusão social. Ontem,
em entrevista em São Paulo, Luiz Bassegio, da coordenação
nacional do Grito, lembrou que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), o País registrou em julho a maior taxa de
desemprego dos últimos 15 meses, chegando a 10,7% da população
economicamente ativa. O
Grito dos Excluídos, em sua 12.ª edição, é organizado
pelo Setor Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), com o apoio de movimentos sociais. Realizado sempre no 7 de Setembro,
é marcado por caminhadas, desfiles, romarias e debates. O lema do Grito
neste ano é: Brasil - Na Força da Indignação, Sementes
da Transformação. Em
São Paulo, grupos de diferentes paróquias sairão em caminhada
no dia 5, em direção à Praça da Sé, onde se
encontrarão no dia seguinte. Na manhã do Dia da Independência
assistirão a uma missa, celebrada pelo arcebispo d. Claudio Hummes, e de
lá seguirão para o Monumento do Ipiranga. O ato terá a participação
de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST). Uma
das principais manifestações do País está prevista
para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, no interior de São
Paulo. São esperadas cerca de 10 mil pessoas para o ato. Na
entrevista de ontem em São Paulo, o bispo d. Luiz Demétrio Valentini,
da Pastoral Social da CNBB, avaliou que o principal desafio do próximo
presidente será encontrar meios para que a economia volte a crescer. "O
Brasil não pode estagnar", argumentou. D.
Demétrio também defendeu a necessidade de fortalecer a democracia
direta, por meio de plebiscitos, referendos, assembléias populares. "Durante
o grito vamos valorizar o processo democrático, pedindo às pessoas
que não anulem seu voto e evitem o apoio a candidatos comprovadamente envolvidos
em casos de corrupção. Mas isso não basta. É preciso
fortalecer a democracia direta." |