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O Ministério Público
Federal denunciou ontem 116 militantes do Movimento de Libertação
dos Sem-Terra (MLST) por participação na invasão e depredação
de instalações da Câmara dos Deputados em 6 de junho. Entre
eles está o líder do MLST, Bruno Maranhão, acusado de ser
mentor intelectual da ação, que deixou 38 feridos e causou à
Câmara um prejuízo de R$ 106 mil. As penas, além do ressarcimento
dos danos, vão de 3 a 9 anos de prisão, conforme o grau de envolvimento
de cada um. Na
denúncia encaminhada ontem à 10ª Vara da Justiça Federal,
os sem-terra são acusados pelos crimes de formação de quadrilha,
lesões corporais leves e graves, danos ao patrimônio público
e resistência qualificada. O Ministério Público também
lançou mão da Lei de Segurança Nacional, criada pelo regime
militar, para agravar as punições aos manifestantes. Os
procuradores da República Gustavo Velloso, Lívia Tinôco, Vinícius
Alves Fermino e José Robalinho Cavalcanti, que detalharam a denúncia,
avaliam que houve tentativa planejada, com motivação política,
de impedir o funcionamento do Poder Legislativo, daí a opção
pelo enquadramento na Lei de Segurança. Segundo Velloso, ao invadirem o
Salão Verde da Câmara, os militantes impediram a entrada e a saída
de pessoas do plenário e prejudicaram os trabalhos da Casa. O
enquadramento na Lei de Segurança Nacional, um recurso evitado desde que
o Brasil se redemocratizou, superou até o rigor do inquérito da
Polícia Federal, concluído na semana passada. Os
manifestantes foram divididos em dois grupos na denúncia. No primeiro estão
os 80 militantes que estiveram na reunião em que a ação foi
planejada, na véspera da invasão, na sede da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). O segundo grupo é integrado
por 35 pessoas que participaram do ato, como provam as fitas de vídeo e
os autos da prisão em flagrante. Por não terem participado do planejamento,
porém, eles não foram enquadrados nos crimes de quadrilha e contra
a segurança nacional. EM
SEPARADO Maranhão
foi denunciado em separado, com o agravante de ser acusado de ser o autor intelectual
da invasão à Câmara. Os procuradores explicaram que ele foi
reconhecido como idealizador dos atos de vandalismo por testemunhas. Além
disso, foram registradas várias entradas do líder do MLST na Câmara
nos dias que antecederam a invasão. Segundo os procuradores, com o propósito
de mapear o local. A
hipótese de incluir mais pessoas na denúncia não foi descartada
pelos procuradores, pois a PF ainda está fazendo perícias. Das 540
pessoas detidas no dia do ataque à Câmara, 42 foram presas em flagrante
e continuam no Complexo Penitenciário da Papuda. Segundo Fermino, 32 dos
42 fazem parte do grupo dos denunciados, pois faltam esclarecimentos sobre a participação
dos outros 10. COLABOROU
CAROLINA RUHMAN |