18/setembro/2006
Sem-terra invadem fazenda de Janene no Paraná
Segundo o MST, objetivo é 'denunciar corrupção de políticos'; deputado foi acusado de receber mensalão

 

Evandro Fadel
 

Cerca de 700 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram ontem a Fazenda 3 Jota, de propriedade de Stael Fernanda, mulher do deputado licenciado José Janene (PP-PR), que fica no distrito de Guaravera, em Londrina, no norte do Paraná. Segundo o MST, o objetivo é 'denunciar a corrupção de políticos que usam o dinheiro público para acumular patrimônio, principalmente em fazendas'. A propriedade tem 192 hectares e possui cerca de 2 mil ovelhas. 'Queremos fazer essa denúncia', disse o líder do MST na região, José Damasceno.

Entre as justificativas do MST para a invasão estão reportagens que mostrariam que Janene, antes de se eleger deputado, em 2002, teria declarado à Receita que suas empresas tiveram rendimento zero. No entanto, entre 2003 e 2004, ele e Stael tornaram-se proprietários de várias fazendas, além de imóveis e veículos. Os bens da mulher do deputado e de dois assessores estão bloqueados por ordem da Justiça Federal. Investigações da Polícia Federal revelaram indícios de movimentação financeira incompatível com a renda.

O MST pede que as fazendas sejam destinadas à reforma agrária, que o mandato seja cassado e que o dinheiro supostamente conseguido de forma ilícita seja devolvido. Janene é um dos acusados de se beneficiar do mensalão. Seu assessor João Cláudio Genu teria sacado R$ 4,1 milhões das contas do publicitário Marcos Valério. O processo está no Conselho de Ética da Câmara. Em licença médica desde setembro de 2005, o deputado tentou se aposentar por invalidez, mas o pedido foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal.

O advogado da família, Adolfo Góis, protocolou à tarde pedido de reintegração de posse. 'Esses baderneiros estão fazendo o que rotineiramente fazem pelo Brasil, que é saquear, roubar e depredar.'

AMORIM

Em Pernambuco, o MST promoveu ontem mais quatro bloqueios de rodovias dentro da jornada deflagrada quinta-feira.

As interdições foram rápidas e mobilizaram mil pessoas, segundo o MST, que festejou a concessão de habeas-corpus do Superior Tribunal de Justiça que derrubou pedido de prisão preventiva do dirigente nacional Jaime Amorim. O líder passou uma semana preso em agosto por decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco. O STJ concedeu liminar e ele foi solto. Há uma semana, o TJPE decretou nova prisão preventiva.

Em Mato Grosso, o MST deixou de manhã as sedes do Incra em Cuiabá e Cáceres, mas retomou as invasões dos dois prédios à tarde.

COLABORARAM ANGELA LACERDA e NELSON FRANCISCO

 
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
 

 

 

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