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Cerca de 300 integrantes
da Via Campesina estão acampados desde a manhã de ontem em frente
à Fazenda Santa Rita, em Santo Antônio da Platina, a cerca de 350
quilômetros de Curitiba, no norte do Paraná. A propriedade pertence
ao deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), que cria gado nelore. Segundo o movimento,
o objetivo é 'denunciar a corrupção do agronegócio,
do qual o parlamentar ruralista é um dos principais articuladores'. Eles
pedem a cassação do mandato do deputado. Segundo
a Via Campesina, a fazenda seria um presente da multinacional americana Monsanto
ao deputado em troca de apoio no Congresso para aprovação de emenda
à medida provisória que autoriza o uso do glifosato como herbicida
na cultura de soja transgênica - críticos do glifosato afirmam que
ele causa a infertilidade do solo. O movimento disse que a aprovação
ocorreu cinco meses após a compra da fazenda pelo deputado. A
Via Campesina afirma que Lupion comprou a fazenda de 145 alqueires por R$ 690
mil - menos de um terço do valor. Acusa-o ainda de fazer caixa 2 em campanha
eleitoral e usar de sua influência política para liberação
de recursos. 'Queremos
que a Justiça e o Ministério Público tomem providências,
e nada mais justo do que a cassação', disse o coordenador da Via
Campesina, Diego Moreira. Acampados às margens da BR-153, os manifestantes
pretendem realizar debates e discussões sobre agroecologia e reforma agrária.
O movimento não tem data para ser encerrado.'Nossa manifestação
é pacífica', garantiu o coordenador. BABOSEIRAS Lupion
entrou com mandado de interdito proibitório - instrumento jurídico
para evitar invasão da propriedade - e classificou o ato como 'político'.
'Inventaram baboseiras para protesto e foram fazer violência a mando do
Lula, do PT e seus asseclas', acusou o deputado. Segundo ele, não há
nenhuma denúncia aceita pelo Supremo Tribunal Federal contra ele, assim
como todas as representações na Câmara foram rechaçadas
no início. Lupion afirmou que o movimento ficou irritado porque, no relatório
da CPI da Terra, ele pediu indiciamento dos líderes por apropriação
indébita e prevaricação, além de propor que invasão
com seqüestro seja considerado crime hediondo. Lupion
disse que comprou a fazenda em 1999 da Agroceres, em tomada de preço público.
Mais tarde, a Agroceres foi incorporada à Monsanto. 'Paguei
em dia e não tem dinheiro público', afirmou. Segundo ele, o movimento
desconhece que o glifosato já é de domínio público
há dez anos e, além disso, sua emenda não foi acolhida. Ele
foi para a fazenda ontem e disse que cerca de 200 proprietários de todo
o Paraná podem se dirigir até lá para lhe dar apoio. Em
Londrina, o Movimento dos Sem-Terra continua ocupando fazenda da família
do deputado licenciado José Janene (PP-PR). Ela foi invadida sexta-feira,
sob pretexto de 'denunciar a corrupção de políticos que usam
o dinheiro público para acumular patrimônio'. A Justiça já
concedeu reintegração de posse. No sábado, os sem-terra disseram
ter encontrado simuladores de urnas eletrônicas na fazenda. O Ministério
Público Eleitoral pediu que sejam encaminhados para a Polícia Federal
fazer perícia. |