Cerca
de 300 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) fizeram ontem uma passeata
pelas ruas centrais de Porto Alegre. Eles foram até o Palácio Piratini
para pedir agilidade do governo estadual na execução dos programas
de reforma agrária e liberação de verbas para a manutenção
das escolas itinerantes que a organização mantém nos acampamentos.
Uma comissão dos sem-terra foi recebida pelo governador Germano Rigotto
(PMDB) e deixou a reunião com duas promessas. Uma
delas indica que a tentativa de acordo judicial para a aquisição
da Fazenda Palermo, em São Borja, será acelerada. A outra prevê
para os próximos dias o reinício dos repasses de dinheiro para pagamento
de professores que dão aulas sob as barracas dos acampamentos espalhados
à beira de estradas no interior do Estado. Segundo o MST, os pagamentos
estão atrasados há quase seis meses. Após
o encontro com o governador, os sem-terra decidiram encerrar a manifestação
e voltaram para o acampamento de onde haviam saído, no pátio do
prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra), também no centro de Porto Alegre. Os sem-terra mantêm a
área sob ocupação desde terça-feira da semana passada. No
fim da tarde, em outra reunião, representantes do movimento foram recebidos
pelo presidente do Incra, Rolf Hackbart. E também saíram com promessas. Hackbart
informou que 12 processos de desapropriação de fazendas no Rio Grande
do Sul devem ser iniciados em 45 dias. No conjunto, elas teriam capacidade para
assentar 715 famílias de sem-terra. Apesar
das promessas, os militantes do MST decidiram continuar acampados no pátio
do Incra, sem definir prazos para sua saída. Admitiram apenas que iriam
consultar outros acampados sobre a possibilidade deixar o local nos próximos
dias. |