| Mulheres da Via
Campesina - grupo que reúne movimentos
ligados ao campo, incluindo o MST - protagonizaram
cenas de vandalismo no porto de Barra do Riacho,
distrito de Aracruz, no Espírito Santo,
um dos alvos de protestos realizados ontem em
todo o país. Após invadirem o
terminal, cerca de de 1.300 mulheres espalharam
cupins e picharam os estoques de madeira com
tinta vermelha. Mais de duas mil toneladas de
madeira foram danificadas, segundo a administração
do porto. O protesto durou meia hora e paralisou
o embarque de celulose naquele terminal.
"Nosso porto foi usado como instrumento
para protesto contra o agronegócio
e o sistema econômico. A agressão
não tem justificativa e atinge as exportações
do país, justamente num setor em que
o Brasil é altamente competitivo. A
empresa espera que fatos como este não
fiquem impunes", frisou, em nota, Gilberto
Marques, diretor superintendente do Portocel,
empresa responsável pela exportação
do produto.
Cerca de 4.500 mulheres da Via Campesina
protestaram em cinco estados, reivindicando
um novo modelo agrário. Um dia após
as comemorações pelo Dia Internacional
das Mulheres, elas levaram crianças
para os locais das manifestações.
Em Brasília, quebraram uma porta de
vidro do Ministério da Agricultura.
E em Aliança, município pernambucano
a 85 quilômetros de Recife, houve confronto
com policiais militares; um sem- terra foi
detido, acusado de agredir um policial.
Em Presidente Prudente, no interior paulista,
cerca de 200 mulheres protestaram contra a
morosidade da reforma agrária na região,
ocupando a frente do escritório regional
do Instituto de Terras do Estado de São
Paulo (Itesp). A ação foi chefiada
por Diolinda Alves de Souza, mulher do líder
dissidente do MST José Rainha Júnior.
Também em São Paulo, além
das ações promovidas pela Via
Campesina, 600 sem-terra invadiram uma área
da Cosan, em Barra Bonita, a 280 quilômetros
da capital. A manifestação também
foi um protesto contra a política de
reforma agrária. Já no interior
do Paraná, 1.200 mulheres da Via Campesina
fizeram uma passeata e, após uma missa,
retornaram aos acampamentos.
No Rio Grande do Sul, fábrica da Votorantim
invadida
Em Candiota, no Rio Grande do Sul, um grupo
de 700 mulheres da Via Campesina invadiu a
Votorantim Celulose e Papel. "Depois
de especular contra a moeda brasileira e ter
prejuízos financeiros, a VCP recebeu
R$6,6 bilhões do governo brasileiro
para adquirir a Aracruz Celulose" disse
a Via Campesina, em nota.
Em nota à imprensa, as mulheres justificaram
os protestos: "Não queremos o
projeto de agricultura do agronegócio,
hidronegócio e das empresas transnacionais
no Brasil".
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