22/setembro/2006
Meta de deputado é 'destruir' o MST
'Já fiz o possível, agora farei o impossível', avisa Abelardo Lupion
 
Evandro Fadel
 

O deputado Abelardo Lupion (PFL-PR) disse ontem que se dedicará no próximo mandato, se reeleito, à tarefa de 'destruir' o Movimento dos Sem-Terra (MST) e outras entidades que, para ele, agem à margem da lei. Desde segunda-feira, cerca de 300 integrantes da Via Campesina, formada por várias entidades que têm a reforma agrária como lema, estão acampados às margens da BR-153, a 4 quilômetros da entrada da Fazenda Santa Rita, que pertence ao deputado, em Santo Antônio da Platina, no Paraná. 'Já fiz o possível, agora farei o impossível.'

Ontem, membros da Via Campesina concederam entrevista na sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em Curitiba. Segundo eles, é 'estranho' que um deputado da bancada ruralista compre uma fazenda da multinacional Monsanto, exatamente no período em que se discutia a liberação do uso do glifosato como herbicida pós-emergente na cultura da soja geneticamente modificada. Eles afirmaram ainda que há 'suspeitas' de caixa 2 na campanha de Lupion em 1998.

'O processo está parado no Supremo Tribunal Federal (STF)', afirmou Rogério Nunes, da Via Campesina. O representante da Coordenação de Movimentos Sociais, Gustavo Ervin, disse que a entidade pretende coletar assinaturas em todo o Brasil pedindo que a Procuradoria-Geral da República, o STF e o Congresso façam a apuração. Segundo a Via, há representações contra Lupion na Câmara e processo no STF.

O deputado nega todas as acusações e apresenta certidões negativas da Câmara e do Supremo em relação a processos contra ele. 'As representações não passam da corregedoria, porque não há objeto. No STF não passou da preliminar. Não há do que me defender.'

Tanto ele como a Monsanto argumentam que a compra da fazenda foi acertada em 1999, quando ainda pertencia à Agroceres Sementes, mais tarde incorporada à Monsanto. A última de três parcelas foi paga em 2005, com a entrega da escritura.

A Via Campesina diz que o protesto não é oportunista. 'É claro que no atual contexto (campanha eleitoral) repercute mais', admitiu Diego Moreira, um dos coordenadores do acampamento.

 
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
 
 
 
 

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