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A ação, segundo a liderança
do movimento, integra a mobilização
conhecida como Abril Vermelho
SALVADOR - Um grupo de cerca de 800 integrantes
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra (MST) ocupa, desde a madrugada desta
quarta-feira, 8, a Fazenda Putumuju, localizada
em Mundo Novo, distrito de Eunápolis,
658 quilômetros ao sul de Salvador.
A ação, segundo a liderança
do movimento, integra a mobilização
conhecida como Abril Vermelho - que lembra
o episódio em que 19 trabalhadores
rurais sem-terra foram mortos por policiais
militares em Eldorado dos Carajás (PA),
em 17 de abril de 1996 - e tem como objetivo
pressionar o governo baiano a acelerar os
processos de desapropriações
de terra no Estado.
De acordo com o dirigente do MST Márcio
Matos, a fazenda ocupada, de 4,7 mil hectares,
é devoluta, ou seja, deveria ser devolvida
ao Estado para fins de reforma agrária.
Em vez disso, estaria sendo usada pela Veracel
Celulose para o plantio de eucalipto, matéria-prima
da produção de papel. A Veracel
informou que não irá se pronunciar
sobre o caso justificando que a propriedade
não é da empresa, mas de um
fornecedor, que não foi localizado.
A assessoria da Secretaria Estadual de Agricultura,
Irrigação e Reforma Agrária
(Seagri) limita-se a informar que a situação
"está sendo apurada".
Matos também afirma que há
mais de 20 mil hectares de terras devolutas
na região sendo usadas pela empresa,
que poderiam ser destinadas ao assentamento
de 5 mil famílias de sem-terra. "Há
dois anos o Estado não promove as desapropriações",
alega o dirigente. Os invasores passaram o
dia derrubando árvores de eucalipto
para plantar milho e feijão. Espera-se,
até amanhã, a chegada de mais
mil trabalhadores rurais à fazenda.
O dirigente do MST afirma que até o
dia 17 as invasões na região
serão intensificadas.
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