26/setembro/2006
Protesto de sem-terra fecha estrada no Paraná
Ato foi contra a empresa Nortox, que teria dado dinheiro para campanha do deputado ruralista Abelardo Lupion
 
Evandro Fadel
 

Cerca de cem integrantes da Via Campesina e do Movimento dos Sem-Terra (MST), que estão no assentamento Dorcelina Folador, interromperam ontem, por cerca de cinco horas, o tráfego na BR-369 entre Arapongas e Apucarana, no norte do Paraná.

O objetivo era fazer um protesto em frente à empresa brasileira de defensivos agrícolas Nortox. Segundo o MST, a Nortox contribuiu com R$ 50 mil para a campanha do deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR), em 1998, 'com o objetivo de flexibilizar a utilização de agrotóxicos no Brasil'.

Os manifestantes chegaram a tirar a bandeira da Nortox, mas foram impedidos pela segurança da empresa. 'É um bando de coitados', comentou o presidente da Nortox, Osmar Amaral. 'Mais da metade eram crianças de 10 a 12 anos, principalmente mulheres.'

Segundo ele, toda a contribuição de campanha - 12 candidatos foram contemplados - foi devidamente registrada. 'Tudo perfeitamente regular', afirmou.

Os manifestantes disseram que também tinham a intenção de alertar para que seja investigado se a empresa cumpre as normas ambientais e de saúde dos trabalhadores. 'Eles nem sabem o que é isso', respondeu o presidente da Nortox. 'É tudo gente mandada.'

Cerca de 300 integrantes da Via Campesina estão, desde o dia 18, acampados perto da Fazenda Santa Rita, pertencente a Lupion, em Santo Antonio da Platina. Eles pedem que a Câmara dos Deputados investigue denúncias de que Lupion foi beneficiado por empresas para defender seus interesses. O deputado nega qualquer irregularidade.

'DESTRUIR O MST'

Na semana passada, dia 21, Lupion disse que no próximo mandato, se reeleito, se dedicará à tarefa de 'destruir' o MST e outras entidades que, para ele, agem à margem da lei. 'Já fiz o possível, agora farei o impossível', disse.

No mesmo dia, membros da Via Campesina disseram ser 'estranho' que um deputado da bancada ruralista tenha comprado uma fazenda da multinacional Monsanto exatamente no período em que se discutia a liberação do glifosato como herbicida da cultura da soja geneticamente modificada.

Eles afirmaram ainda que há 'suspeitas' de caixa 2 na campanha de Lupion em 1998. 'O processo está parado no Supremo Tribunal Federal (STF)', afirmou Rogério Nunes, da Via Campesina.

 
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
 
 
 
 
 
 
 

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