|
José Maria Tomazela
A 1ª Vara Criminal de Lençóis Paulista,
no oeste do Estado, deve notificar nos próximos
dias os 22 integrantes do Movimento dos Sem-Terra
(MST) que serão processados sob a acusação
de invadir e depredar uma fazenda de laranjas da empresa
Cutrale, em outubro.
A notificação foi determinada pela juíza
de primeira instância Ana Lúcia Graça
Lima Aiello. Em despacho assinado no dia 11, ela aceitou
a denúncia do Ministério Público
Estadual contra os militantes. Acusados também
de terem furtado equipamentos da fazenda, eles passaram
a ser considerados réus.
Os advogados que atuam a favor do MST já se
preparam para definir a linha de defesa. Durante a
fase de inquérito policial, sete dos acusados
foram presos pela Polícia Civil e libertados
dias depois, por determinação do Tribunal
de Justiça de São Paulo, que considerou
as prisões irregulares.
Os réus foram denunciados por crimes de danos,
furto e formação de quadrilha. A juíza
determinou a intimação dos acusados
para responderem às acusações
por escrito.
A denúncia atinge Miguel da Luz Serpa, coordenador
estadual do MST; Edilson Granjeiro Xavier, ex-prefeito
de Iaras, filiado ao PT; Rosimeire D"Arco de
Almeida Serpa, vereadora do PT na mesma cidade; Willian
Miranda Cabeçoni, mais conhecido como Japonês;
Romildo Pereira, o Lega; Roberto Alves Villas Boas,
o Bin Laden; Rivadávia José de Almeida,
o Xampu; Paulo Costa Albuquerque, da coordenação
estadual; Máximo Alvino de Oliveira; Laudemir
Tani; Jessissai Marques das Neves; Jefferson Diego
Gonçalves, o Doido; Ivaldo Oliveira Cintra,
o Cabeça Branca; Fernando Aparecido dos Santos,
o Rundap; Elisete Souza da Silva, a Dinha; Cristiano
Guedes Pereira, o Biguá; Claudete Pereira de
Souza; Carlos Alberto da Luz Serpa; Avelino Rodrigues
de Oliveira; Anselmo Villas Boas, o Gaúcho;
e Andréia do Carmo Pio.
Aparece também na lista Paulo Rogério
Beraldo, coordenador do MST na região, que
dirigiu o trator usado para derrubar os pés
de laranja da Cutrale, líder mundial no setor
de exportação de suco.
O advogado Aton Fon Filho, da Rede de Justiça
e Direitos Humanos, estranhou a forma "acelerada"
com que a denúncia foi apresentada. "Depois
das prisões ilegais, que, segundo o TJ, não
poderiam ter sido feitas, uma vez que sequer existia
denúncia, precisamos ficar atentos", disse
ele. Na opinião de Roberto Rainha, que também
defende os sem-terra, eles deverão negar os
crimes.
|