22/10/2008
 
EMERSON SANCHEZ-DA REDAÇÃO
 

Das sete áreas invadidas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), ligados a José Rainha Júnior, no fim de semana, os sem-terra permaneciam em seis delas até à tarde de ontem. De acordo com o coordenador regional do movimento, Sérgio Pantaleão, 28 anos, apenas a Fazenda Margareti, em Teodoro Sampaio, havia sido desocupada. O acordo em deixar a área, segundo ele, partiu após o proprietário do local, juntamente com uma comissão de acampados, “acionar para uma possível negociação” quanto à área, cuja terra o MST afirma ser devoluta. “Na conversa, ficou definido de acertamos uma data para negociarmos as terras da área, por intermédio do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]”, adianta.
Ainda ontem, Rainha criticou a postura do presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, ao anunciar anteontem, apoio aos fazendeiros interessados investir na contratação de empresas de seguranças legalizadas e regularizadas, para impedir a ação de militantes em suas propriedades. “Essa é uma questão que tem de ser tratada em âmbito da Justiça Federal, por meio do Ministério Público Federal [MPF] e Polícia Federal, e não apenas pelo Estado. Vamos acionar estes dois órgãos para isso, no intuito de que essas milícias sejam coibidas”, rebateu, se referindo à proposta da UDR e ao governo de José Serra (PSDB).
Os sem-terra protestam contra o governo do Estado e pela arrecadação de novas áreas para assentamento. Eles também pedem agilização na regularização de terras situadas no Pontal do Paranapanema. Segundo Rainha, os proprietários das atuais áreas invadidas querem negociar as terras, mas só não o fizeram ainda, por conta da morosidade do Estado. “Todas as áreas em que estamos já foram julgadas em primeira e segunda instâncias como sendo terras devolutas, só que há demora por parte do Itesp [Instituto de Terras do Estado de São Paulo] na solução do problema”, disse. “Só vamos deixar as áreas ou por determinação judicial [reintegração de posse] ou quando houver negociação”, completou.
Na região, permanecem invadidas as fazendas Iaras, em Euclides da Cunha Paulista, Bela Vista, em Santo Anastácio, Conquista, em Presidente Venceslau, Oliveira, em Dracena, Nossa Senhora de Lourdes, em Junqueirópolis e Fazenda Guarani, localizada em Presidente Bernardes.

 
Fonte: Jornal O Imparcial
 
 
 

 

 
 
 

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