|
Produtores de Mato Grosso calculam prejuízos
com a desvalorização no preço
da saca de soja e estimam pedir subsídio do
governo federal para garantir o preço mínimo
na comercialização do grão. Segundo
o presidente da Associação dos Produtores
de Soja e Milho (Aprosoja), Glauber Silveira, a expectativa
para o setor neste ano está relacionada às
constantes perdas no campo, provocadas pelo excesso
de chuvas e pela proliferação da ferrugem
asiática. O produtor destaca ainda que a queda
no preço da oleaginosa, incentivada pelo aquecimento
do mercado internacional, pode contribuir para o desempenho
negativo da cultura este ano. "Tudo indica que
não teremos um bom ano para a soja em Mato
Grosso".
O presidente da Aprosoja afirma que a dívida
acumulada na atividade, em investimentos e produção,
chega a R$ 1,5 mil por hectare. Essa situação,
segundo ele, pode piorar com a tendência de
baixa renda prevista para 2010. "Com o preço
da saca em decadência teremos que pedir apoio
do governo para a comercialização".
Silveira ainda afirma que algumas regiões já
necessitam do subsídio federal. "No município
de Sinop, por exemplo, a saca custa R$ 25, preço
que não permite investimentos, somente cobre
custo de produção".
O último levantamento do Instituto de Economia
Agropecuária (Imea) mostra que a soja, em Mato
Grosso, já acumula 15% de desvalorização
mensal nas 13 cidades acompanhadas pela entidade.
Em Rondonópolis, polo industrial do setor,
a saca de soja fechou a semana passada cotada a R$
30,70, valor que é 28% inferior ao registrado
há exato um ano, período em que o produtor
custava R$ 43.
Paralelo ao desempenho econômico da soja, a
colheita do grão atinge 395 mil hectares no
Estado. Volume que poderia ser maior se não
fosse a chuva constante. Com a demora da colheita,
o produtor já lamenta as perdas no campo. "É
desesperador. A lavoura está passando do tempo
para ser colhida", desabafa o presidente da Aprosoja,
que afirma ainda não ter número para
indicar o total de prejuízos estimados para
esta safra.
|