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O DG-Sanco, órgão responsável
pela saúde do consumidor na União Europeia
(UE), publicou ontem dois relatórios sobre
missões enviadas ao Brasil para avaliar a produção
de carne suína e rever os controles de febre
aftosa na produção de bovinos. A missão
para avaliar a produção de suínos
em Santa Catarina, que é livre de aftosa sem
vacinação, foi realizada em outubro
do ano passado e é um passo fundamental para
que a UE defina se irá importar carne suína
desse Estado brasileiro.
No relatório, a UE observa que o setor de
carne suína brasileiro é bem organizado,
mas afirma que o controle e amostragem para a produção
de carne suína livre de ractopamina não
cobrem toda a cadeia produtiva. A ractopamina é
um promotor de crescimento proibido pela UE.
Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação
Brasileira da Indústria Exportadora de Carne
Suína (Abipecs), afirmou que o Brasil já
havia informado a UE sobre o o uso da ractopamina
antes de a missão visitar Santa Catarina. "O
Brasil informou que usava, mas se comprometeu a não
usar nas exportações para a UE",
disse.
Segundo o relatório da UE, a missão
encontrou deficiências em relação
à identificação dos suínos
e seus controles. Além disso, a rastreabilidade
total dos suínos nos sistemas de integração
não é garantida.
Na resposta à UE sobre o relatório,
o governo brasileiro propõe um sistema de produção
livre da ractopamina para garantir que os suínos
não receberam o produto na alimentação
durante toda a vida. Nesse sistema, a cadeia de produção
que deseja exportar carne suína à UE
terá de implementar programas de controles
- que serão submetidos aos órgãos
oficiais - para garantir que o medicamento não
é usado. Os animais para abate com destino
à UE também terão de ser identificados
para que possam ser segregados na cadeia de produção.
Camargo Neto considerou o relatório positivo,
uma vez que o Brasil já se comprometeu em implementar
um sistema que garanta a produção livre
do medicamento na exportação à
UE. Agora, segundo ele, falta a aprovação
do relatório pelo Comitê Veterinário
da UE.
No relatório sobre os controles da febre aftosa
no Brasil, a missão da UE, que veio ao país
em fevereiro de 2009, concluiu que a erradicação
e o controle da doença são prioridade
para o governo brasileiro. E avaliou que a boas taxas
de vacinação do rebanho são fundamentais
para assegurar o controle do risco de circulação
do vírus.
Segundo o relatório, os levantamento sorológicos
para demonstrar a ausência de circulação
do vírus tiveram algumas deficiências,
mas reforçaram a vigilância nas áreas
envolvidas. As deficiências identificadas pela
missão, diz o documento, estão relacionadas
ao controle geral da aftosa.
Conforme o documento, há boa cobertura de
vacinação do rebanho e mais medidas
foram tomadas para assegurar a rastreabilidade dos
bovinos cuja carne é destinada à UE.
Desde janeiro de 2008, apenas fazendas certificadas
e rastreadas podem fornecer animais para abate e exportação
ao bloco.
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