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Um
grupo de trabalhadores rurais sem-terra estavam desde
ontem a noite acampados em frente à sede do
Incra (Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária) de Campo Grande e agora
pela manhã invadiram o prédio. Eles
protestam contra o que chamam de lentidão e
descaso do governo federal para com a reforma agrária.
Em
nota distribuída à imprensa os sem-terra
ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores
), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra)
e Fetagri (Federação dos Trabalhadores
na Agricultura) dizem que a reforma agrária
deve ser um programa público de governo para
combater a concentração da propriedade
da terra.
Através
da desapropriação e da indenização
aos fazendeiros [o governo] organiza assentamentos,
distribui a terra para famílias de trabalhadores
e assim democratiza o acesso a terra, que é
um bem da natureza e que deve estar a serviço
de toda população, para gerar emprego,
moradia, saúde, educação, produzir
alimentos saudáveis, dar vida digna as famílias
e não apenas servir uma minoria, diz
a nota.
Cerca
de 500 sem-terra ocupam o Incra. Segundo Ronildo Lopes,
um dos líderes do movimento, de um assentamento
em Nova Alvorada do Sul, não há previsão
para desocupar o prédio. Ele espera que os
processos de aquisição e distribuição
de terra sejam agilizados.
O
superintendente do Incra, Flodoaldo Alencar, disse
que não cabe mais a ele solucionar o caso.
Ele considerou abuso a ocupação
e aguarda que os sem-terra se manifestem. A única
sala que ainda não foi invadida é a
do superintendente; as demais estão ocupadas
pelos sem-terra.
Os
sem-terra levaram colchões, redes, barracas,
preparam suas refeições na cozinha ou
lancham na cidade.
Dados
dos sem-terra dão conta que, desde dezembro
do ano passado o Incra está paralisado, não
houve avanço na gestão de Flodoaldo,
que substituiu Luiz Carlos Bonelli (ligado ao PT)
no cargo. Não foi assentada sequer uma
família, enquanto que a meta era de assentar
4.360 famílias em 2008. Centenas de famílias
estão em áreas de pré-assentamento
esperando de um a dois anos o parcelamento da área
por parte do Incra.
Os
sem-terra listam uma série de reivindicações:
agilidade no processo de desapropriação
e assentamento, parcelamento das áreas adquiridas
pelo Incra, sobretudo o Complexo Santo Antônio;
agilidade na liberação e aplicação
dos créditos para aplicação,
apoio, fomento e Pronaf; construção
e recuperação de casas nos assentamentos,
assistência técnica, entre outros.
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