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"A
carne bovina será cada vez mais um artigo de
luxo" (...) e "o consumo per capita no Brasil
e no mundo vai cair". Já que a tendência
é que os preços do produto sigam em
alta. A previsão é de José Vicente
Ferraz, diretor da AgraFNP, que ontem apresentou em
São Paulo as perspectivas para a bovinocultura
de corte no Brasil até 2017. Nas estimativas
da AgraFNP, a exportação brasileira
de carne bovina vai alcançar 2,9 milhões
de toneladas (equivalente-carcaça) em 2017
ante os 2,2 milhões embarcados em 2007. Ferraz
estima um recuo nos embarques este ano e um crescimento
"modesto" das vendas externas do produto
até 2017. A perspectiva é de carne cara
nos próximos anos porque os maiores players
mundiais enfrentam limitações em sua
capacidade de produção de carne e consequentemente
para exportar. Na Austrália, o problema é
a seca dos últimos anos que vem afetando a
produção de carne. Na Argentina, há
restrições internas às exportações
e no Uruguai, limitações de expansão
territorial e um nível de produtividade média
"já relativamente alto". Limitação
territorial também é o problema no Paraguai.
Já os Estados Unidos, segundo Ferraz, enfrentam
redução nos confinamentos de gado por
causa do aumento dos custos de produção
decorrente da forte valorização do milho,
que é usado também na produção
de etanol. O Brasil, maior exportador mundial de carne
bovina, também sofre limitações.
Uma delas é o protecionismo de algumas regiões
- como a União Européia, que restringiu
compras do país por questões de sanidade.
"Esse é um problema que vai ser resolvido
pela junção de duas forças: a
necessidade fará com que a UE relaxe as exigências,
e o Brasil vai ter que melhorar os procedimentos padrões",
disse. Além disso, a menor oferta de carne
pode resultar em preços considerados altos
por países emergentes. Para a consultoria,
os preços do boi gordo devem ficar 20% acima
dos atuais, em valores reais, em cinco a dez anos.
A AgraFNP também prevê que nos próximos
10 anos deverá haver uma redução
da área de pastagens do Brasil - hoje em quase
200 milhões - porque parte delas se transformará
em lavouras. A tendência de longo prazo, disse
Ferraz, é de haver maior dificuldade para obter
novas áreas de cultivo por razões ambientais.
Atualmente, a pecuária já migra para
o Norte do país, e cresce em Estados amazônicos,
como Pará e Rondônia e gera debates.
Segundo José Vicente Ferraz, existe hoje na
Amazônia 30 milhões a 40 milhões
de áreas degradadas, que poderiam ser transformadas
em pastagens. A consultoria estima que o rebanho bovino
do país continuará a crescer nos próximos
10 anos, mas a taxas modestas e graças a ganhos
de produtividade. Para Ferraz, a idade de abate dos
animais deve cair da média atual de 30 meses
para 26 meses em quatro a cinco anos.
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