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Mauro Zanatta, de Brasília
Congresso: Relator do PCdoB recebe apoio do PT, PSB
e PDT e é criticado por ONGs ambientalistas
De citações ao ditador chinês
Mao Tsé-Tung, à Bíblia e ao "antropocentrismo",
passando por ataques a "correntes" do ambientalismo
e ao "capitalismo predatório", parlamentares
de esquerda uniram-se à ideologia da bancada
ruralista para defender ontem a necessidade de reformar
o Código Florestal Brasileiro, em vigor desde
1965.
Deputados de PT, PSB e PDT, apoiados por diversos
parlamentares ruralistas do PMDB, promoveram um ato
político de apoio a Aldo Rebelo (PCdoB-SP),
relator da comissão especial criada na Câmara
para alterar as atuais regras ambientais. Em um sufocante
e calorento auditório da Câmara, Rebelo
recebeu elogios unânimes diante da plateia de
comunistas, ruralistas, sindicalistas, estudantes
e índios trajados com imensos cocares vermelhos.
Mas foi questionado por dirigentes de ONGs ambientalistas,
como Greenpeace, WWF e SOS Mata Atlântica, por
suas intenções de alterar o código.
O movimento de apoio político a Aldo Rebelo,
liderado por seu partido, deu algumas pistas sobre
como o relator pretende modificar as leis ambientais.
Mesmo sendo um crítico ferrenho do processo
de concentração de terras derivado das
atuais regras, Rebelo informou que não vai
"abrir mão" dos conceitos de áreas
de reserva legal (RLs) e de preservação
permanente (APPs). "Não existe esse conceito
no mundo, mas está no nosso ordenamento jurídico.
E São Paulo vai ter 20% de reserva legal, sim",
sustentou. Isso obrigaria os produtores a recompor
áreas de mata nativa. "Mas vamos com calma.
Não vou servir de agente de defesa da agricultura
europeia ou americana". O relator também
afirmou ser contra a compensação ambiental
fora das propriedades originais, ainda que na mesma
microbacia hidrográfica. Isso reforçaria,
segundo Rebelo, a pressão da "agricultura
capitalizada" contra os donos de pequenas áreas
de produção. "Precisamos mediar
esses interesses econômicos", pregou. E
criticou o governo por editar leis que "inviabilizam"
o crédito a pequenos produtores que desmataram
além do permitido, o que incentivaria a concentração
da terra e a expulsão de agricultores e assentados
do campo.
Apontadas como linha de apoio a uma "guerra comercial"
entre agricultura frágil de países ricos
contra "países frágeis" de
agricultura forte, os ativistas das ONGs revidaram:
"É necessário separarmos quem quer
defender os interesses nacionais e quem quer jogar
para defender seus próprios interesses",
disse o diretor do Greenpeace, Sérgio Leitão.
O "ponto central" do debate, segundo ele,
é a "necessidade ou não da expansão
da fronteira agrícola".
Em nome do PT, o deputado Dr. Rosinha (PR) elogiou
a visão de soberania nacional de Aldo Rebelo,
mas criticou o modelo de desenvolvimento "individualista
e consumista" ao pregar a urgência de limitar
a expansão de cultivos como a cana-de-açúcar
e evitar a descentralização das leis
ambientais aos Estados. "Já pensou se
estivesse nas mãos do Arruda aqui em Brasília?
Já chega o que estão fazendo no Noroeste",
afirmou, em referência ao novo bairro "ecológico"
aprovado pelo governador afastado do DF, José
Roberto Arruda (sem partido), preso por acusações
de corrupção. O líder do PSB
na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF), concordou
com as teses de Rebelo, mas reivindicou mudanças
para proteger o Cerrado e o pagamento por serviços
ambientais a produtores: "Este modelo que está
aí não me serve. Precisamos mesmo avançar
em novas áreas? Só que quem cumpriu
a lei no passado não pode ser penalizado hoje",
disse.
O presidente da comissão especial e uma das
principais lideranças ruralistas do Congresso,
Moacir Micheletto (PMDB-PR), voltou a criticar a forma
como a legislação foi criada. "Há
uma insegurança jurídica no campo. A
legislação ambiental hoje é fragmentada,
tem caráter ideológico, sem base científica,
não protege o meio ambiente e engessa o agronegócio",
resumiu. Será preciso, segundo ele, modificar
quase todos os pontos do Código Florestal para
"adequar" as regras às novas necessidades
do país.
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