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Invasão de terra é crime. E só
países que aplicam a lei e a Justiça
contra o crime avançam e melhoram a vida de
todos
O GIGANTESCO acampamento de 5.000 militantes do MST
diante de 70 propriedades em São Paulo, seis
das quais tomadas de assalto, invadidas com violência
e depredações, no "Carnaval vermelho",
seria um escândalo em qualquer lugar do mundo,
mesmo em regiões conflagradas por guerras ou
revoluções. No Brasil atual, porém,
fatos dessa natureza estão se tornando rotina.
Como no famoso título de Durrenmatt, "seria
cômico se não fosse sério".
Além de ser desmoralizante para uma nação
democrática, pois as invasões violam
o Código Civil -que protege expressamente o
direito de propriedade de qualquer ameaça ou
violência (artigo 1.210)-, é uma extravagante
demonstração de desrespeito à
Constituição e à própria
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Neste governo, temos média anual de 248 invasões,
contra 166 no anterior. São números
preocupantes. Demonstram que o país tem níveis
democráticos absolutamente imaturos e, em muitas
vezes, até inexistentes quanto ao direito de
propriedade e à segurança jurídica
no campo.
Para ampliar o poder da esquerda radical sobre órgãos
federais e verbas públicas, grupos armados
que investem na tese do conflito permanente tentando
mudar à força o sistema de governo invadem
cada vez mais. Esse mecanismo violento, ilegal e inquietante
das invasões de propriedades produtivas atinge
um segmento vital para o Brasil, já que a agropecuária
responde por um terço dos empregos do país
e pelo superavit de US$ 23 bilhões da balança
comercial.
Não é possível supor que a violência
do MST tenha se tornado rotina, que possa ser absorvida
sem indignação na conta nebulosa de
tolerância que se concede aos chamados "movimentos
sociais", que misturam organizações
realmente empenhadas na meritória defesa de
direitos civis com maquinações radicais,
anacrônicas, marginais e, principalmente, corruptas.
Aliás, assim como a notícia do "Carnaval
vermelho" escapou dos registros indignados, proporcionais
à sua gravidade, também passou discretamente
pelo noticiário a informação
a respeito das 43 entidades ditas "privadas e
sem fins lucrativos" de Santa Catarina que receberam
R$ 11 milhões de recursos federais. Não
por mera coincidência, essas entidades estavam
sob o comando de notórios dirigentes de invasões
de terras.
O TCU (Tribunal de Contas da União) determinou
o "aprofundamento" das análises de
convênios firmados entre o Incra (órgão
federal controlado pelo MST) e a Cooperativa dos Trabalhadores
da Reforma Agrária de Santa Catarina, que é
ligada ao mesmo MST. A Comissão Parlamentar
de Inquérito criada para apurar se grupos armados
que invadem terras recebem recursos públicos
certamente vai fornecer mais dados sobre essa e outras
distorções. Esses grupos de ativistas
políticos radicais não têm compromisso
com a reforma agrária. Se tivessem, em vez
de desordem, aplicariam na melhoria dos assentamentos
o dinheiro público que recebem. Nesses locais,
inúmeras famílias vivem em situação
extremamente precária, algumas em condições
de extrema pobreza, conforme constatação
de pesquisa Ibope.
Ao contrário das afirmações
dos líderes desses grupos armados, a sociedade
brasileira segue investindo no programa de reforma
agrária. Juntos, os dois últimos governos
(FHC e Lula) garantiram 80 milhões de hectares
de terras para assentamentos. Só para fins
de comparação: a área de produção
de grãos do país ocupa, no total, 65
milhões de hectares e registra produção
de 141 milhões de toneladas.
Esses investimentos poderiam ser maiores? Não
sei. O que sei é que temos enormes deficits
em todo o campo social. Nossas deficiências
em saúde pública, em educação
fundamental e moradia são conhecidas. Não
contamos com serviços mínimos de segurança,
como se a segurança não fosse a primeira
condição para vivermos em liberdade.
Há inúmeras demandas pressionando as
estruturas do Estado, mas os recursos, infelizmente,
são parcos e não dá para aumentar
a já exorbitante carga de tributos.
Essa é a realidade do país que estamos
enfrentando, no campo, com trabalho duro e muita esperança.
Temos enorme paciência com as idas e vindas
do tempo. Estamos acostumados às intempéries.
O que não podemos mais tolerar são os
retrocessos no Estado de Direito e a leniência
de algumas das principais autoridades do país
com o crime.
Invasão de terra é crime. E só
países que aplicam a lei e a Justiça
contra o crime avançam e melhoram, efetivamente,
a vida de todos. O presidente da República
não deveria mais se calar a respeito desse
assunto. Antes que o MST ouse promover, como já
está anunciado, o "abril vermelho",
o presidente da República deveria dizer uma
palavra aos produtores de alimentos do país
e a todos os brasileiros sobre a violência das
invasões de terra. Quem cala consente. Com
a palavra, o exmo. sr. presidente. (CNA)
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