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Entidade vai investir R$ 20 milhões para ajudar
ruralistas a produzirem de forma sustentável
Luciana Abade BRASÍLIA
Depois de 13 anos de embate com ambientalistas, a
Confederação Nacional da Agricultura
(CNA) lançou ontem, em Brasília, em
parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias
(Embrapa), o projeto Biomas, que tem por objetivo
instalar em cada um dos seis biomas brasileiros -
cerrado, pampa, amazônico, mata atlântica,
caatinga e pantanal - uma vitrine tecnológica
que apoiará os produtores rurais no sentido
de aumentar a produção de alimentos
de forma sustentável.
- A questão ambiental é, pára
nós, uma crise - destacou a presidente da CNA,
a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). - Todo mundo
se entende mal, se expressa mal. Então procuramos
um árbitro e optamos pela Embrapa, pela pesquisa,
pela ciência.
Segundo a senadora, optar pela ciência não
significa "o melhor dos mundos" para ruralistas
e ambientalistas, mas a CNA acredita que vai "mais
agradar, do que desagradar".
Para viabilizar o projeto serão investidos
R$ 20 milhões nos próximos nove anos.
No Início, 240 pesquisadores estarão
envolvidos: 60 da Embrapa e 180 de universidades parceiras.
Do montante de recursos, 70% serão destinados
à mobilidade dos pesquisadores.
O dinheiro ficará em uma conta exclusiva e
será repassado à Embrapa de acordo com
a demanda.
Até o final deste ano, o cerrado e a mata atlântica
deverão receber suas vitrines tecnológicas.
Os biomas foram priorizados porque são as áreas
de maior conflito entre ambientalistas e ruralistas,
além da "Amazônia estar mais conservada".
Enquanto a Amazônia tem 84% de sua cobertura
original, o Cerrado tem 60% e a Mata Atlântica
27%.A ideia é que em três meses seja
feito o levantamento da área onde será
instalada a vitrine e nos quatro meses seguintes os
pesquisadores façam o trabalho de campo.
- Onde o produtor errou, onde foi exorbitado, vamos
corrigir, mas quem vai determinar isto não
será nenhuma ong, será a ciência
- afirmou a senadora, que aproveitou alguns momentos
para alfinetar o ministro do Meio Ambiente, Carlos
Minc.
Polêmica O projeto da CNA é apresentado
em meio a uma crise entre ruralistas e ambientalistas
por mudanças no Código Florestal de
1965. Um dos pontos de maior conflito entre os dois
grupos é o que diz respeito aos códigos
florestais estaduais. Em 2009, o estado de Santa Catarina
aprovou leis estaduais mais flexíveis do que
as nacionais. Os deputados catarinenses reduziram
em 84% as áreas de preservação
permanente no estado.
Logo, as matas ciliares ao longo de córregos
e rios passaram a ter cinco metros contra os 30 que
exige a lei federal.
Para a senadora, a atual lei ambiental nacional "não
tem nenhum nexo científico" e o que foi
feito em Santa Catarina foi mal compreendido: - Lá
tem muito morro, muita água, não sobra
quase nada para plantar.
A democrata está descrente da votação
do novo Código Florestal ainda este ano porque
"temas polêmicos não são
votados em ano de eleição". Caso
a previsão da senadora se confirme, ela espera
que o projeto Bioma avance no sentido de mostrar aos
legisladores a importância de se respeitar as
especificidades de cada estado.
- É o início de boas práticas
que vão induzir a lei - acredita Kátia.
- Não dá para passar uma regra pelo
Brasil como se fosse tudo igual.
O presidente da comissão especial da Câmara
dos Deputados criada em 2009 para reformular o Código
Florestal, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), foi
convidado para assistir uma apresentação
do projeto.
Quanto as formulações do código,
o Biomas prevê o desmatamento zero nas florestas,
reflorestamento de Áreas de Proteção
Permanente (APPS) de encostas, a consolidação
das áreas de produção de alimentos
e serviços ambientais para compensar os produtores
que preservarem as florestas.
- No dia que tiver o preço para um hectare
em pé, o Ibama nem vai precisar fiscalizar
- acredita Kátia.
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