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Baseado em levantamento da ONG Contas Abertas, Tribunal
pede que cooperativa catarinense ligada ao MST seja
investigada sob suspeita de repasses irregulares de
verba do governo federal
# Danielle Santos
O Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou
à Secretaria de Controle Externo de Santa Catarina
(Secex-SC) na última semana uma investigação
sobre a Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária
de Santa Catarina (Cooptrasc). A solicitação
é baseada em levantamento da organização
não governamental Contas Abertas que aponta
a entidade catarinense como a terceira na lista de
43 entidades sem fins lucrativos ligadas ao Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que mais
receberam dinheiro do governo federal entre 2003 e
2009. Ao todo, foram R$ 11 milhões nesse período.
As duas primeiras entidades - a Associação
Nacional de Cooperação Agrícola
(Anca) e a Confederação das Cooperativas
de Reforma Agrária (Concrab) - já tinham
sido investigadas pelo Ministério Público
Federal no ano passado pelas mesmas razões.
O relatório que indica os dados sobre a Cooptrasc
chegou ao TCU em março do ano passado, mas
apenas agora será analisado pela Secex-SC,
vinculada ao Tribunal. Só em 2009, a cooperativa
catarinense recebeu, de acordo com a ONG, cerca de
R$ 3,3 milhões - 65% a mais em relação
ao ano anterior. Entre 2003 e 2008, o responsável
pelos convênios firmados entre a instituição
e o Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) foi Joel Tomazi,
um dos líderes do MST na região. Ele
presidiu a Cooptrasc até 2007. O Correio entrou
em contato com a assessoria de imprensa do MST para
confirmar as informações, mas não
obteve resposta até o fechamento desta edição.
Convênio cancelado
O pedido de investigação solicitado
pelo ministro do TCU, Augusto Sherman, inclui o cancelamento
do convênio entre a Cooptrasc e o Incra, até
que se comprove a ausência de irregularidade
no contrato. Segundo o processo do Tribunal, a entidade
existe há cerca de 12 anos e atua em todas
as regiões de Santa Catarina onde existem assentamentos
da reforma agrária. O dinheiro repassado pelo
governo federal serve para a manutenção
de 10 escritórios regionais, de 31 veículos
e de equipamentos de informática, além
de pagamento para uma equipe de profissionais como
técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos
e engenheiros florestais, entre outros.
O pedido do TCU cita ainda o conflito de interesses
entre membros ligados à cooperativa. O diretor
da Associação Estadual de Cooperação
Agrícola de Santa Catarina (Aesca), responsável
pelo monitoramento e pela avaliação
do convênio, Lucidio Ravanello, presidiu a Cooptrasc
entre 1997 e 2003 e foi apontado pelo relatório
como um dos líderes do MST ligado a invasões
de propriedade em Santa Catarina. O texto do TCU também
aponta para a localização das duas entidades
no mesmo endereço, localizado em Chapecó,
segundo o TCU.
Agenda mantida
A decisão do TCU de investigar a Cooptrasc
não deve, porém, fazer efeito na programação
da CPI do MST, que investiga o desvio do repasse de
recursos públicos a entidades ligadas aos sem
terra. "É mais um indício de irregularidade,
mas não vamos atropelar o calendário
por conta disso. Vamos tratar de forma adequada. Nem
mais, nem menos. Não é questão
de prioridade, nós colocamos um plano de atividades
e vamos trabalhar com ele", afirma o relator
da Comissão, deputado Jilmar Tatto (PT-SP).
"O contra-argumento do relator é de que
a CPI deve analisar primeiro os convênios firmados
para depois solicitar a quebra de sigilo, se necessário.
Pactuo da ideia de que as duas coisas são fundamentais
para avançar nos trabalhos. Temos que levar
essa premissa a sério, até porque a
disponibilização de dados da quebra
de sigilo demora entre 30 e 45 dias e não teremos
tempo hábil", afirma o vice-presidente
da Comissão, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) endossa a crítica
sobre a estratégia montada pelos governistas
de enfraquecer a comissão: "O pedido do
TCU só reforça a necessidade de se quebrar
a resistência da base aliada do governo, que
quer evitar tratar da quebra de sigilo das entidades.
Mas nós vamos correr contra o tempo para mudar
a situação porque o prazo para o término
da CPI é junho", diz. (DS)
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