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Os
inúmeros focos de incêndio não
deixam dúvida: a estiagem e o desmatamento
castigam a Floresta Amazônica e a imensidão
verde salpicada de ipês amarelos está
virando pasto. Para tentar mudar esse quadro, o ministro
do Meio Ambiente, Carlos Minc, esteve ontem em Novo
Progresso-PA para embargar e multar em R$ 10 milhões
uma fazenda que já desmatou ilegalmente 3 mil
hectares de área florestal protegida.
A
fazenda já havia sido embargada em agosto de
2007, mas o proprietário, José Carlos
da Silva, descumpriu a ordem e continuou arrendando
a área para o grupo Laguna criar quatro mil
cabeças de gado. Ela está localizada
dentro da reserva de Jamanxim, que já teve
uma área maior que a cidade do Rio de Janeiro
devastada.
"Acabou
a moleza", disse. "Agora vai dar cana dura."
Quatro
infrações
A
multa corresponde a quatro infrações:
dano direto à área de conservação,
queimada, desmatamento e desrespeito ao embargo anterior.
Essa
foi a primeira autuação que o Ministério
do Meio Ambiente faz uma semana depois que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei de
crimes ambientais, que prevê redução
no tempo de recursos para o infrator.
O
dono da fazenda tem 20 dias para retirar o gado do
local, caso contrário, os animais serão
apreendidos e poderão ser leiloados ou doados
pelo ministério.
Recursos
O proprietário do gado ainda pode recorrer
a duas instâncias. A primeira é a Superintendência
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Renováveis (Ibama). A segunda é a presidência
da instituição.
Se
perder na primeira instância, não há
chances de reaver os animais. Mas, se a decisão
da presidência for favorável ao proprietário,
ele é ressarcido em dinheiro. Com a nova lei,
no entanto, esse trâmite não deve ultrapassar
seis meses.
Como
o proprietário da fazenda não estava
no local, o gerente do empreendimento, David Joaquim
Gonçalves, foi notificado e encaminhado à
delegacia do município para prestar depoimento.
Perguntado
pelo ministro se tinha noção que estava
cometendo um crime ambiental, Gonçalves disse
saber "mas não ter estudo" e "estar
defendendo o pão".
"Se
paramos para tomar fôlego, estamos fritos, carbonizados",
disse Minc em meio a fuligem. "Dá vontade
de pegar o dono e colocar para plantar árvores
até o fim da vida."
A
viagem ao Sul do Pará também teve como
objetivo entregar ao governo do Estado 3 mil m³
de madeira apreendida em Castelo dos Sonhos, distrito
de Altamira. Cerca de R$ 2 milhões podem ser
arrecadados com a venda da madeira.
Enquanto
Minc entregava simbolicamente as 600 toras de madeiras
como cedro, peroba e jatobá, madeireiros isolados
atrás de um muro protestavam. Desde que o Ibama
chegou ao distrito no último dia três,
a cidade está parada.
"A
cadeia daqui vai ficar cheia de pai de família
que vai saquear mercado para comer e colocar as filhas
para se prostituirem", afirmou o madeireiro Paulo
Schutz, morador da região desde 1983. "Aqui
macaco vale mais que gente. Não tem uma lei
que bota lei na gente. Aqui é uma terra sem
lei."
A
maior queixa dos madereiros é com a burocracia
e "incompetência" do governo em articular
os planos do manejo.
Esses
planos, aliás, parecem ser o único ponto
de convergência entre madereiros e ministério.
Durante toda a viagem, Minc enfatizou a necessidade
de investir nesses segmento, uma vez que "não
basta mostrar as armas e esquecer as comunidades locais".
Ainda
esse ano, 15 das 65 flonas (unidade de preservação)
serão preparadas para licitação
em 2009. A idéia do governo é investir
R$ 70 milhões e ter R$ 120 milhões de
retorno.
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