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Eles nascem já monitorados por especialistas,
logo ganham carteira de identidade e entram para um
banco de dados que acompanhará toda a sua trajetória,
inclusive depois da morte. O rastreamento do gado,
do pasto às prateleiras dos supermercados,
toma força no país. A garantia da origem
da carne e a certeza de que ela é de qualidade
passaram a ser exigências do consumidor brasileiro,
antes mesmo de se tornarem requisitos para o produtor
alcançar o comércio internacional. E
para não ser excluído desse mercado,
pecuaristas dão os primeiros passos para adoção
de um sistema eletrônico de coleta e armazenamento
de dados.
Não será de um dia para outro que todo
o rebanho nacional poderá ser identificado.
Afinal de contas, o Brasil tem o maior rebanho comercial
do mundo, com quase 190 milhões de cabeças
de gado. O processo, contudo, precisa ser acelerado.
Missão de técnicos da União Europeia
(UE) chega, este mês, ao Brasil, líder
no ranking de exportação de carne bovina,
para verificar fazendas e plantas frigorificas habilitadas
à exportação. A inspeção
tem como objetivo identificar justamente se as exigências
de rastreabilidade estão sendo cumpridas, para
que as relações comerciais sejam mantidas.
Entre amanhã e o dia 15 receberão as
visitas de técnicos europeus fazendas de Minas
Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás,
São Paulo, Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul.
Para o secretário da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (SEAPA) de Minas Gerais, Gilman Viana
Rodrigues, Minas está mais que preparada para
receber os fiscais da UE. "O estado tem pouco
mais de 10% do rebanho brasileiro, mas representa
um terço das fazendas credenciadas do país.
Das 1.891 propriedades da lista, 639 estão
aqui. Não é à toa que somos os
maiores exportadores para a UE. Nosso trabalho é
rigoroso, por isso não temos nada a temer",
disse. Ele explicou que os técnicos checam
a situação das propriedades enquadradas
no Sistema Brasileiro de Identificação
e Certificação de Origem Bovina e Bubalina
(Sisbov) e verificam a situação sanitária.
Entre as exigências previstas no programa de
rastreabilidade está a adoção
de brincos ou chips eletrônicos para a identificação
dos bovinos, bem como o seu registro por um período
mínimo de 90 dias na base de dados do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
A exigência alimenta o mercado. Rastrear o gado
do pasto até o prato é o negócio
da mineira Safe Trace. Dois jovens da Universidade
Federal de Itajubá criaram em 2005 - quando
o mundo sofria surtos do mal da vaca louca, que restringiu
a circulação de carne produzida em países
acometidos pela doença, reduzindo sensivelmente
o comércio internacional - uma tecnologia de
identificação por rádio frequência
para informar ao cliente a procedência da carne.
A Fir Capital, gestora de fundos de venture capital
do qual faz parte o mineiro Guilherme Emerich, comprou
a ideia e aperfeiçoou o modelo. "O projeto
tinha uma fragilidade: identificava o caminho somente
até o frigorífico. Hoje, é possível
rastrear desde o nascimento até o pedaço
da carne na bandeja do supermercado", disse Rodrigo
Argueso, economista que era sócio-gestor da
Fir Capital até assumir a presidência
da Safe Trace.
Quase cinco anos e R$ 5 milhões de investimentos
depois, os parceiros chegaram ao produto final: um
chip que pode vir em forma de brinco eletrônico
ou do chamado bólus, uma cápsula de
cerâmica engolida pelo boi. Com a implantação,
as informações são cadastradas
e ficam disponíveis na internet. São
dados como a propriedade em que nasceu, sexo, peso,
vacinas. Na prateleira do supermercado, o consumidor
encontra na bandeja de carne uma etiqueta com o código
de barras e um número que remete ao animal
que originou o produto. "O sistema garante o
cumprimento das exigências da União Europeia
e também atende o consumidor brasileiro, que
a cada dia mais se assemelha com a demanda do consumidor
europeu", afirmou. O supermercado Verdemar foi
o primeiro a oferecer aos clientes carne rastreada
da fazenda à gôndola com a auditoria
da Safe Trace. O Super Nosso foi atrás. Para
o consumidor final, o quilo da carne custa até
R$ 0,50 mais caro. Mas, ao que tudo indica, clientes
estão dispostos a pagar mais.
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