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No início de janeiro, em viagem pelo oeste
do Rio Grande do Norte, conversei com pequenos agricultores
do Vale do Apodi.
Edmilson Lopes Júnior é professor de
sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN).
Todos eles comentaram, com animação,
os resultados alcançados no último em
suas pequenas propriedades. Estavam especialmente
satisfeitos com a evolução da produção
de arroz. Um deles, um velho amigo, colega de sala
de aula no antigo ginásio, comentou extasiado:
"Sabe aquelas máquinas grandes, utilizadas
na colheita do arroz lá no Sul? Agora, a gente
tem delas na Várzea do Apodi...".
Trata-se de uma situação distinta daquela
que encontrei, na mesma região, há uma
década, mais ou menos. Os agricultores, especialmente
os pequenos, estavam apreensivos e comentavam, sem
disfarçar a amargura que tal decisão
lhes provocava, que pensavam em vender ou abandonar
os seus pequenos sítios. A redefinição
do mercado de produtos agrícolas regionais,
traduzida no crescimento da demanda por produtos locais
(o arroz que se produz na região é o
"da terra"...), resultado previsível
do aumento do poder de compra da população,
recolocou a atividade agrícola em outro patamar,
mais elevado, nos vales úmidos do semiárido
nordestino. A nova realidade vivida pelos pequenos
agricultores do Vale de Apodi não é,
entretanto, apenas uma consequência direta da
evolução positiva da economia regional.
Há outro elemento, fundamental para o desenvolvimento
de qualquer atividade econômica, que foi positivamente
redefinido nos últimos, em especial no município
de Apodi: o aumento da segurança para fazer
investimentos materiais e simbólicos nos sítios.
Há dez anos, a criminalidade grassava na região.
As conversas giravam então, não em torno
da produção agrícola, como agora,
mas, sim, a respeito do roubo de máquinas agrícolas
ou de assalto a residências. Famílias
inteiras, em lugares isolados, eram molestadas por
delinquentes comuns. Em alguns momentos, especialmente
quando se deslocavam para as áreas urbanas
para receber os seus aposentos, os velhos trabalhadores
rurais eram tomados pelo medo de serem assaltados.
Medo e incerteza dominavam as áreas rurais.
Nos últimos cinco anos, o policiamento ostensivo
reverteu o clima de insegurança. Ações
policiais apoiadas em diálogos com as comunidades
locais mudaram o quadro. Essa atividade policial,
que merece melhor apoio e infraestrutura, impactou
positivamente a vida econômica regional. Não
apenas os agricultores voltaram a se sentir mais seguros
em suas propriedades, mas também os comerciantes,
que "fazem as feiras" nas pequenas cidades
próximas a Apodi, reconquistaram a confiança
para se deslocar pelas estradas vicinais do município.
A discussão sobre a segurança pública
no Brasil, centrada na produção discursiva
sobre os dramas vividos nos centros urbanos, precisa
ser enriquecida com a incorporação de
demandas há muito colocadas pelos produtores
rurais. Ao contrário do que certa esquerda
insiste, a presença policial no campo, planejada
e apoiada em redes de colaboração com
as comunidades locais, não apenas aumenta a
segurança e a confiança das pessoas
em relação às suas vidas e propriedades,
mas também alarga o espaço da cidadania.
Isso porque se os grandes proprietários, mesmo
que aumentando os seus custos de produção,
têm como resolver privadamente a ameaça
da criminalidade no campo, os pequenos agricultores
e trabalhadores rurais encontram-se vulneráveis
para lidar com esse "flagelo" (a palavra
era sempre pronunciada pelos agricultores locais,
equiparando o roubo às suas propriedades às
sempre temidas secas...).
O que se pode aprender da realidade vivida hoje em
Apodi é o fato de que a melhora do ambiente
na agricultura brasileira nem sempre implica em altos
encargos e subsídios governamentais. Por outro
lado, aponta o quanto o policiamento de áreas
rurais, assentado em uma metodologia que envolva a
interação e a colaboração
com as comunidades locais, é fundamental para
garantir paz, cidadania e segurança no campo
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