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Área, pertencente à empresa que cultiva
eucalipto, é a 16a- ocupada pelo movimento
no estado durante o Abril Vermelho
SALVADOR e EUNÁPOLIS. Integrantes do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam ontem a
Fazenda Barrinha, em Eunápolis, a 644 km de
Salvador, que pertence à multinacional Veracel,
empresa que cultiva eucaliptos para a produção
de celulose. Esta é a 16afazenda ocupada na
Bahia durante o Abril Vermelho - ações
organizadas pelo MST para lembrar o Massacre de Eldorado
dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores
rurais foram mortos em confronto com a tropa de choque
da PM do Pará.
De acordo com Márcio Mattos, um dos coordenadores
do movimento, a intenção do MST é
ocupar pelo menos 30 fazendas até o fim de
abril. Esta é a terceira vez que o MST ocupa
a Barrinha, que possui 4.700 hectares e se situa às
margens da BR-101, a 20 km de Eunápolis, onde
fica a fábrica da empresa.
Mattos informou que a área estava ocupada por
400 famílias.
Em frente à fazenda, há um acampamento
do MST, onde cerca de 30 pessoas residem desde abril
do ano passado, quando o movimento entrou pela primeira
vez na Barrinha. A Veracel Celulose pediu a reintegração
da posse e ganhou. O grupo saiu, mas retornou em outubro
de 2009, saiu novamente por força de mandado
judicial, mas ficou no acampamento.
Veracel Celulose afirma ter prejuízo de R$
5 milhões
A Veracel Celulose divulgou nota informando que, em
razão das ações do MST contra
áreas de sua propriedade, já contabilizou
prejuízos de mais de R$ 5 milhões com
plantio comercial ou fragmentos de Mata Atlântica
que foram ou estão ocupadas. A direção
da empresa afirma que a invasão "desrespeita
as decisões do Judiciário de Eunápolis,
que determinou a reintegração, já
cumprida no passado por duas vezes, sempre com desocupação
pacífica do local". "Esta mesma área
está contemplada pela confirmação
da Coordenação de Defesa Agrária
da Bahia que concluiu que a Veracel não ocupa
terras devolutas", diz a nota.
Mais de cinco mil trabalhadores rurais marcham, desde
segundafeira, pela BR-324, em direção
a Salvador. O grupo saiu de Feira de Santana e a expectativa
é que chegue na próxima segundafeira.
Eles vão se reunir com a direção
regional do Incra e com a Secretaria Estadual de Agricultura
e Reforma Agrária.
As principais queixas são referentes ao atraso
no processo de assentamento das 25 mil famílias
que aguardam lotes em acampamentos considerados precários
e à assistência aos trabalhadores rurais
dos 120 assentamentos do MST no estado.
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