22/04/2010

 

 

Área, pertencente à empresa que cultiva eucalipto, é a 16a- ocupada pelo movimento no estado durante o Abril Vermelho

SALVADOR e EUNÁPOLIS. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam ontem a Fazenda Barrinha, em Eunápolis, a 644 km de Salvador, que pertence à multinacional Veracel, empresa que cultiva eucaliptos para a produção de celulose. Esta é a 16afazenda ocupada na Bahia durante o Abril Vermelho - ações organizadas pelo MST para lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com a tropa de choque da PM do Pará.


De acordo com Márcio Mattos, um dos coordenadores do movimento, a intenção do MST é ocupar pelo menos 30 fazendas até o fim de abril. Esta é a terceira vez que o MST ocupa a Barrinha, que possui 4.700 hectares e se situa às margens da BR-101, a 20 km de Eunápolis, onde fica a fábrica da empresa.


Mattos informou que a área estava ocupada por 400 famílias.


Em frente à fazenda, há um acampamento do MST, onde cerca de 30 pessoas residem desde abril do ano passado, quando o movimento entrou pela primeira vez na Barrinha. A Veracel Celulose pediu a reintegração da posse e ganhou. O grupo saiu, mas retornou em outubro de 2009, saiu novamente por força de mandado judicial, mas ficou no acampamento.


Veracel Celulose afirma ter prejuízo de R$ 5 milhões


A Veracel Celulose divulgou nota informando que, em razão das ações do MST contra áreas de sua propriedade, já contabilizou prejuízos de mais de R$ 5 milhões com plantio comercial ou fragmentos de Mata Atlântica que foram ou estão ocupadas. A direção da empresa afirma que a invasão "desrespeita as decisões do Judiciário de Eunápolis, que determinou a reintegração, já cumprida no passado por duas vezes, sempre com desocupação pacífica do local". "Esta mesma área está contemplada pela confirmação da Coordenação de Defesa Agrária da Bahia que concluiu que a Veracel não ocupa terras devolutas", diz a nota.


Mais de cinco mil trabalhadores rurais marcham, desde segundafeira, pela BR-324, em direção a Salvador. O grupo saiu de Feira de Santana e a expectativa é que chegue na próxima segundafeira. Eles vão se reunir com a direção regional do Incra e com a Secretaria Estadual de Agricultura e Reforma Agrária.


As principais queixas são referentes ao atraso no processo de assentamento das 25 mil famílias que aguardam lotes em acampamentos considerados precários e à assistência aos trabalhadores rurais dos 120 assentamentos do MST no estado.

 
Fonte: Da Agência A Tarde
 

 

 

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