|
Os investimentos no setor rural e no agronegócio
como um todo, espera o presidente da Empresa de Assistência
Técnica e Extensão Rural do Distrito
Federal (Emater-DF), Dilson Resende de Almeida, deverão
experimentar fôlego renovado quando o governo
concluir o processo de regularização
fundiária das quase 20 mil propriedades rurais
na região. "Esta é uma questão
complexa, que tem emperrado a contratação
de crédito rural para investimentos, diante
da fragilidade dos documentos de posse e consequente
deficiência de garantias para o sistema financeiro",
diz Resende.
No final de 2009, a Secretaria de Agricultura, Pecuária
e Abastecimento (Seapa) e a Companhia Imobiliária
de Brasília (Terracap), dona das áreas,
lançaram-se em uma ofensiva para regularizar
a posse de terras rurais no DF num prazo de dois anos,
o que significaria dar solução para
um problema que se arrasta desde os tempos de fundação
da capital do país.
No censo mais recente, realizado pela Federação
da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal
(Fape-DF), afirma Resende, foram identificadas 19.192
propriedades, das quais apenas 3,8 mil mantêm
contratados de arrendamento com o governo. Nas demais,
a ocupação acontece a título
precário. Em torno de 16,7 mil propriedades,
ou quase 87% , têm menos de 20 hectares. Dessas,
praticamente 8,2 mil, 43% do total, ocupam áreas
de dois a cinco hectares. Apenas 85 (0,44%) ocupam
mais de 500 hectares. Os produtores poderão
firmar contratos de concessão de direito de
uso com prazo de 30 anos ou arrematar as áreas
pelo valor da terra nua estabelecido pelo Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(Incra). Com extensão de 421 mil hectares,
estima-se que 44% da área do DF, perto de 185
mil hectares, poderiam ser exploradas pela agropecuária.
Em 2009, o setor sustentou mais de 88% das exportações
do DF. Da porteira para dentro, a agropecuária
gerou receita bruta superior a R$ 1,10 bilhão
em 2009, mais. Apenas o setor de produção
empregou 34.594 pessoas, com mais 616 contratações
em relação aos 33.978 ocupados no setor
um ano antes.
A produção agrícola da região,
diz Resende, não se destaca pelos volumes produzidos,
mas pelos índices de produtividade. "Como
mais de 80% das propriedades têm até
20 hectares, há uma necessidade maior de investimentos
em tecnologia para alcançar escalas de produção
mais ampla", afirma. A proximidade de quatro
polos de pesquisa e de geração de conhecimentos
para o setor rural - os centros da Embrapa de hortaliças,
agroenergia, recursos genéticos e para exploração
dos Cerrados - também contribui. Resultado:
a produtividade das lavouras de feijão, milho,
trigo, morango, batata e banana alcança níveis
entre 47% e 227% acima da média brasileira.
O agronegócio no planalto central tem se especializado
na produção de carne de aves, com o
desembarque de grandes grupos como a Sadia, recentemente
incorporada à Brasil Foods, controlada pela
Perdigão, e o avanço de grupos locais
como a Asa Alimentos. "A avicultura representa
90% do PIB agrícola", diz Resende. Até
o início da década, com um plantel de
9 milhões de aves, as exportações
de carne de frango eram inexistentes. O cenário
mudou por conta dos investimentos que o setor recebeu.
Hoje com 13,6 milhões de aves, o plantel foi
multiplicado por seis desde os anos 1980, crescendo
51% em relação a 2003.
As exportações do agronegócio
cresceram pouco mais de quatro vezes em cinco anos,
pulando de US$ 27,0 milhões em 2004 para US$
114,8 milhões em 2009. A carne de frango in
natura foi responsável por 82% dos embarques,
com vendas de US$ 94,3 milhões.
O avanço do setor animou a Asa Alimentos, cuja
trajetória, afirma seu presidente, Aroldo Silva
Amorim Filho, confunde-se com a história da
avicultura no Centro-Oeste, a arriscar voos mais altos.
Criada em 1994, a empresa instalou unidades de produção
em Goiás, Tocantins, Pará e São
Paulo, tornando-se uma das maiores produtoras de pintos
de um dia e de ovos para incubação,
produzindo mais de 18 milhões de unidades por
dia.
Seu mais recente projeto contempla a instalação
em Luziânia, no entorno do DF, de um novo frigorífico
com capacidade para 600 mil aves por dia, que exigiu
R$ 100 milhões. O grupo, que emprega 2,3 mil
pessoas diretamente, gera mais 11,5 mil colocações
indiretas, projeta um faturamento superior a R$ 400
milhões em 2010, o dobro do tamanho em três
anos.
Maior exportadora do DF, a Sadia iniciou suas operações
em Brasília em dezembro de 2004, com a aquisição
do controle da Só Frango. Além de abatedouro
e fábrica de rações, a Sadia
investiu, no fim de 2008, na ampliação
de sua unidade de salsichas a granel. Sozinha, a empresa
responde por sete entre cada dez dólares exportados
pelo Distrito Federal e por toda a exportação
de carne de frango in natura, com vendas externas
na casa dos US$ 94,3 milhões em 2009.
|