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O Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra,
a Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Agricultura (Contag) e demais movimentos sociais
alertam ao governo que vão "ocupar estradas,
prédios públicos e fazendas" se
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar
o acordo da Organização Mundial do Comércio
(OMC).
O Itamaraty garante que vai manter altas as tarifas
para nove produtos agrícolas como forma de
acalmar os produtores familiares, entre eles trigo,
milho, arroz e feijão. Mas os representantes
dos movimentos sociais garantem não aceitar
nenhum acordo. "Por enquanto, estamos dialogando.
Mas vamos passar à briga se o governo insistir
no acordo", disse o coordenador nacional de Política
Agrícola da Federação dos Trabalhadores
na Agricultura Familiar (Fetraf), Gilmar Pastorio.
O agricultor foi um dos seis representantes de entidades
sociais do setor rural que foram a Genebra acompanhar
as negociações da Rodada Doha. "Estamos
aqui para atrapalhar e evitar a qualquer custo que
haja um acordo", afirmou Pastorio.
Nesta semana, o representante viajará a Dourados
(MS) para falar a 5 mil colonos sobre os impactos
da Rodada Doha. "Se o governo não nos
ouvir, vamos usar nossas táticas, que todos
conhecem. Temos de ter o direito de nos proteger e
garantir a segurança alimentar do Brasil."
A Fetraf representa 4 milhões de pequenos produtores.
"Mas o governo Lula prefere sair em defesa do
agronegócio e de meia dúzia de milionários
da soja."
Segundo ele, o Brasil destruiu a produção
de trigo e outros produtos nos anos 90 com a criação
do Mercosul. "Éramos auto-suficientes
em trigo nos anos 80 e isso foi trocado por benefícios
na indústria", disse Pastorio.
Ele diz que o governo agora precisa fazer manobras
para conseguir pagar as dívidas dos pequenos
agricultores. Ele alerta que 50% das exportações
agrícolas brasileiras vêm da produção
familiar. "De onde Perdigão e Sadia compram
seus produtos? Quem é que acorda às
5 da manhã para dar alimentos aos porcos?",
questiona.
TRIGO
O Brasil vai propor na OMC a manutenção
de barreiras à produção do trigo,
milho e leite para tentar conter as importações
e defender os interesses de pequenos produtores. Hoje,
o País produz apenas 37% do trigo consumido.
O restante é importado, principalmente da Argentina.
Cebola, tomate, mandioca, arroz e alho também
serão mantidos com tarifas altas.
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