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ABRIL VERMELHO Enquanto trabalhadores marcham para
Salvador, integrantes do MST ocupam área no
extremo sul
MÁRIO BITTENCOURT Eunápolis
Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
(MST) ocuparam ontem, pela terceira vez, a Fazenda
Barrinha, pertencente à Veracel Celulose S/A,
que atua no ramo de plantio de eucalipto para produção
de celulose no extremo sul da Bahia. A fazenda fica
às margens da BR-101, a 20 km de Eunápolis
(a 643 km de Salvador), onde está localizada
a fábrica da empresa; a ação
do movimento faz parte da mobilização
relativa ao Abril Vermelho.
Por volta do meio-dia de ontem, havia cerca de 50
integrantes do movimento; ao menos cerca de 500 sem-terra
da região, no entanto, deverão ir para
lá ainda esta semana, segundo a militante Natália
Santos Souza. De acordo com ela, os sem-terra derrubaram
vários pés de eucalipto que estavam
plantados em uma área de 20 hectares - a fazenda
possui 4.700 hectares.
"Estamos mobilizando as pessoas do movimento
para virem para cá. Só sairemos após
as negociações sobre desapropriação
de terra terem avançado", declarou. Ontem,
havia crianças, jovens e idosos derrubando
eucalipto, usando facões, foices, enxadas,
facas e até uma motosserra.
Derrubavam as árvores que tinham de oito meses
de plantadas e gritavam "enquanto a gente come,
enquanto a gente guerra, o MST vai lutando pela terra",
entre outras canções do movimento.
Edicarlos da Silva, o Preto, da direção
estadual do MST e responsável pela brigada
do movimento na região de Eunápolis
e Porto Seguro e que estava ontem na marcha do MST
de Feira de Santana para Salvador, disse que o objetivo
é derrubar o eucalipto para plantar feijão
no lugar.
Prejuízos A Veracel Celulose afirmou ontem
que, "desde 2009, foram contabilizados prejuízos
de mais de R$ 5 milhões em função
das invasões, com plantio comercial ou fragmentos
de mata atlântica que foram ou estão
ocupados".
Em frente à fazenda ocupada, há um acampamento
do MST onde cerca de 30 pessoas residem desde abril
do ano passado, quando o movimento entrou na fazenda.
Porém a Veracel Celulose entrou com ação
na Justiça, pedindo a reintegração
da posse, e ganhou. O movimento saiu e voltou de novo
meses depois. Houve outra reintegração
de posse e eles voltaram para o acampamento.
"Movimento é isso: resistência.
Não podemos sair daqui enquanto tivermos avanços",
comentou Glória Cardoso Barbosa, do Assentamento
Luiz Inácio Lula da Silva, o Lulão,
situado na região de Porto Seguro.
Na nota divulgada ontem, a Veracel afirma que "esta
invasão desrespeita as determinações
do Judiciário de Eunápolis, que determinou
a reintegração, já cumprida no
passado por duas vezes, sempre com desocupação
pacífica do local. Esta mesma área também
está contemplada pela confirmação
da Coordenação de Defesa Agrária
(CDA) do Estado da Bahia, que concluiu que a Veracel
não ocupa terras devolutas".
Informa a empresa que "foram encerrados os procedimentos
discriminatórios de propriedades da Veracel
Celulose no extremo sul conduzidos pelo órgão,
anulando os argumentos dos movimentos sociais que
justificam invasões sob o pretexto de serem
áreas passíveis de reforma agrária".
Garante a empresa que a "postura do diálogo"
está garantida.
Os dirigentes do MST afirmam que "é importante
destacar que todos os imóveis adquiridos pela
Veracel são escriturados, registrados e licenciados
em seu próprio nome.
A escritura e o registro são feitos nos cartórios
competentes, e o licenciamento é obtido no
Instituto do Meio Ambiente (IMA) para uma atividade
produtiva, seja para plantio comercial, edificação
de infraestrutura ou preservação ambiental".
"Esta invasão desrespeita as determinações
do Judiciário de Eunápolis, que determinou
a reintegração"
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