02/04/10

 


ABRIL VERMELHO Enquanto trabalhadores marcham para Salvador, integrantes do MST ocupam área no extremo sul

MÁRIO BITTENCOURT Eunápolis


Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam ontem, pela terceira vez, a Fazenda Barrinha, pertencente à Veracel Celulose S/A, que atua no ramo de plantio de eucalipto para produção de celulose no extremo sul da Bahia. A fazenda fica às margens da BR-101, a 20 km de Eunápolis (a 643 km de Salvador), onde está localizada a fábrica da empresa; a ação do movimento faz parte da mobilização relativa ao Abril Vermelho.


Por volta do meio-dia de ontem, havia cerca de 50 integrantes do movimento; ao menos cerca de 500 sem-terra da região, no entanto, deverão ir para lá ainda esta semana, segundo a militante Natália Santos Souza. De acordo com ela, os sem-terra derrubaram vários pés de eucalipto que estavam plantados em uma área de 20 hectares - a fazenda possui 4.700 hectares.


"Estamos mobilizando as pessoas do movimento para virem para cá. Só sairemos após as negociações sobre desapropriação de terra terem avançado", declarou. Ontem, havia crianças, jovens e idosos derrubando eucalipto, usando facões, foices, enxadas, facas e até uma motosserra.


Derrubavam as árvores que tinham de oito meses de plantadas e gritavam "enquanto a gente come, enquanto a gente guerra, o MST vai lutando pela terra", entre outras canções do movimento.


Edicarlos da Silva, o Preto, da direção estadual do MST e responsável pela brigada do movimento na região de Eunápolis e Porto Seguro e que estava ontem na marcha do MST de Feira de Santana para Salvador, disse que o objetivo é derrubar o eucalipto para plantar feijão no lugar.


Prejuízos A Veracel Celulose afirmou ontem que, "desde 2009, foram contabilizados prejuízos de mais de R$ 5 milhões em função das invasões, com plantio comercial ou fragmentos de mata atlântica que foram ou estão ocupados".


Em frente à fazenda ocupada, há um acampamento do MST onde cerca de 30 pessoas residem desde abril do ano passado, quando o movimento entrou na fazenda.


Porém a Veracel Celulose entrou com ação na Justiça, pedindo a reintegração da posse, e ganhou. O movimento saiu e voltou de novo meses depois. Houve outra reintegração de posse e eles voltaram para o acampamento.


"Movimento é isso: resistência.


Não podemos sair daqui enquanto tivermos avanços", comentou Glória Cardoso Barbosa, do Assentamento Luiz Inácio Lula da Silva, o Lulão, situado na região de Porto Seguro.


Na nota divulgada ontem, a Veracel afirma que "esta invasão desrespeita as determinações do Judiciário de Eunápolis, que determinou a reintegração, já cumprida no passado por duas vezes, sempre com desocupação pacífica do local. Esta mesma área também está contemplada pela confirmação da Coordenação de Defesa Agrária (CDA) do Estado da Bahia, que concluiu que a Veracel não ocupa terras devolutas".


Informa a empresa que "foram encerrados os procedimentos discriminatórios de propriedades da Veracel Celulose no extremo sul conduzidos pelo órgão, anulando os argumentos dos movimentos sociais que justificam invasões sob o pretexto de serem áreas passíveis de reforma agrária". Garante a empresa que a "postura do diálogo" está garantida.


Os dirigentes do MST afirmam que "é importante destacar que todos os imóveis adquiridos pela Veracel são escriturados, registrados e licenciados em seu próprio nome.


A escritura e o registro são feitos nos cartórios competentes, e o licenciamento é obtido no Instituto do Meio Ambiente (IMA) para uma atividade produtiva, seja para plantio comercial, edificação de infraestrutura ou preservação ambiental".


"Esta invasão desrespeita as determinações do Judiciário de Eunápolis, que determinou a reintegração"


 
Fonte:A TARDE - BA
 
 

 

 

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