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Com crise nos Estados Unidos, ano pode ser o início
de um período positivo para as vendas brasileiras
O ano começou bem para o setor de carne bovina.
O volume exportado pelo país em janeiro cresceu
15%. Clientes tradicionais do país aumentaram
as compras, com destaque para Rússia, que comprou
14 mil toneladas, 6% a mais do que no mesmo mês
do ano passado. Também tiveram destaque o Egito,
que adquiriu 8 mil toneladas a mais do que no ano
passado, aumento de 251%, e o Chile que, com o registro
de febre aftosa no Paraguai, levou do Brasil duas
mil toneladas.
A gente teve uma recuperação
para Rússia e pelo Egito, principalmente por
conta da situação política no
ano passado. Aumentaram também as vendas para
Venezuela e Hong Kong afirma Gabriela Tonini,
coordenadora técnica da Associação
Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne
(Abiec).
O aumento se deu mesmo sem a ajuda do câmbio,
desfavorável ao Brasil na hora da exportação.
O real forte perto do dólar acaba refletindo
na competitividade dos produtores brasileiros no mercado
externo. Mas mesmo assim a gente tem tido resultados
positivos com as exportações
diz Gabriela.
O ano de 2012 pode ainda ser o início de um
período positivo para as exportações
brasileiras. Motivada por uma seca devastadora e altos
custos com ração, o rebanho dos Estados
Unidos passa pela pior crise dos últimos 60
anos. Com a redução do número
de animais, as vendas norte-americanas devem diminuir
e o Brasil pode ser a alternativa dos países
compradores.
Pode significar mais mercado para nós
na Rússia, por exemplo, que nós atendemos
e eles também. Alguns nós não
acessamos, como Japão, Coreia do Sul e México.
Mas os que nós competimos pode significar um
pouco mais de volume este ano, o que poderia melhorar
nossa exportação, que vem caindo há
alguns anos explica César de Castro
Alves, analista da MBAgro.
Atento a este potencial de crescimento, o Departamento
de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou
um estudo com base em dados do próprio governo
brasileiro, mostrando que as exportações
do nosso agronegócio crescem mais rápido
que outros países. Entre 2010 e 2020 os embarques
de carne bovina norte-americanas devem crescer entre
5% e 10%. No mesmo período as vendas do Brasil
devem ter um crescimento na faixa que varia entre
20% e 25%. Para o analista da MBAagro, na prática
a realidade pode ser outra. Não se pode subestimar
a eficiência dos Estados Unidos, que trabalham
com sistema de confinamento e ganham na produtividade.
Segundo ele, o Brasil hoje não teria oferta
suficiente para atender a demanda mundial, mas a longo
prazo pode chegar lá. O primeiro passo já
foi dado com o início de um ciclo pecuário
que pretende multiplicar o rebanho. O desafio agora
deve ser recuperar, ampliar e conquistar novos mercados.
A União Europeia está no horizonte.
É um mercado que provavelmente não vai
ser a salvação, mas por comprar cortes
de preços elevados ele complementa muito bem
para qualquer país afirma Alves.
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