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Fernando Lopes, de São Paulo
O Banco do Brasil e a Secretaria da Agricultura de
São Paulo anunciam hoje, em Ribeirão
Preto, a criação da primeira linha de
crédito do país voltada exclusivamente
para apoiar a manutenção, o desenvolvimento
e a ampliação do cultivo de seringueiras.
Inicialmente alimentada com R$ 20 milhões em
recursos próprios do BB, a nova linha poderá
ser acessada apenas por produtores paulistas. Foi
estabelecido um teto de R$ 100 mil por beneficiário,
limitado ao orçamento de R$ 7 mil por hectare.
O prazo de pagamento é de até 12 anos,
incluídos sete de carência, e os juros
anuais são de 6,75%.
"O apoio do banco para a heveicultura no Estado
de São Paulo propiciará condições
especiais no prazo de pagamento e carência do
financiamento, fortalecendo a cadeia produtiva, promovendo
a geração de emprego e renda",
afirma o ex-ministro Luís Carlos Guedes Pinto,
vice-presidente de Agronegócios do BB.
Segundo ele, a cadeia da borracha é sustentável,
"à medida que evita processos erosivos
de solos e protege mananciais", e é uma
boa alternativa às fontes não renováveis
do produto sintético. São Paulo consolidou-se
nos últimos anos como o principal produtor
de borracha do país.
A criação da linha é uma resposta
ao desafio proposto no ano passado pelo secretário
da Agricultura do Estado, João Sampaio, ele
próprio produtor e um dos maiores entusiastas
da cultura. "O segmento precisava, e a linha
é um ótimo exemplo de diversificação
do Banco do Brasil", disse.
Sampaio reconhece que a linha ainda é pequena,
mas informa que o valor poderá aumentar caso
exista demanda. Se houver tomadores para todo o montante
inicial, mais 6 mil hectares poderão ser ocupados
com seringueiras em São Paulo. Em sete anos,
seriam mais 10 mil toneladas.
Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola
(IEA), vinculada à Secretaria da Agricultura,
o plantio de seringueiras ocupou pouco mais de 77
mil hectares no Estado em 2008, divididos em cerca
de 4,4 mil propriedades. Em 1996, eram menos de 2,5
mil propriedades, em 40 mil hectares. Na mesma comparação,
a produção aumentou de 43,5 mil para
122 mil toneladas de borracha.
Levando-se em consideração o preço
do coágulo - a borracha bruta no campo, com
água e impurezas -, o valor da produção
agrícola ("da porteira para dentro")
da borracha em São Paulo passou de R$ 42 milhões,
em 1996, para R$ 246 milhões em 2008. No ano
passado, contudo, o valor caiu para R$ 171 milhões.
"As perspectivas para 2010 são de recuperação",
acredita Sampaio. De acordo com o secretário
paulista, em 2008 o quilo de coágulo foi negociado,
em média, por R$ 2 no mercado paulista, valor
que caiu para pouco mais de R$ 1 em 2009 e que atualmente
está em torno de R$ 2,60, com a preciosa colaboração
do aumento da demanda por parte da indústria
automobilística.
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