24/julho/2008
 

O candidato a vereador Luiz Cláudio de Oliveira (PSDC), o Claudinho da Academia, que tem reduto na Rocinha, conta com um apoio de peso. O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, que atua na região do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, disse nesta quarta-feira que não só apóia como foi um dos que incentivaram a candidatura do presidente da associação de moradores da comunidade carioca. É o que mostra reportagem de Adauri Antunes Barbosa e Flávio Tabak na edição desta quinta em 'O Globo'. O candidato diz ter o apoio de mais de cem líderes da favela, e estaria impedindo a entrada de adversários na área. O curral eleitoral teria, segundo denúncias, o apoio do tráfico.

Rainha disse que é amigo de Claudinho e que já se encontrou com ele em várias visitas que fez à favela carioca. O líder do MST disse freqüentar a Rocinha desde 1997, e afirmou que Claudinho não tem relações com traficantes. Ao explicar as visitas, Rainha defendeu a necessidade de organizar os moradores para lutar contra o que chamou de ausência do Estado e o preconceito contra o população do morro.

- Precisamos orientar, mostrar para esse povo que é preciso lutar - disse Rainha, por telefone, de Presidente Bernardes, onde ele lidera uma marcha do MST que saiu na quarta-feira da cidade e irá até Presidente Prudente.

Na terça-feira, quando a candidata do PT Ingrid Gerolmich teve que levar a PM para entrar na Rocinha, além de Claudinho apareceu uma mulher, Niúra Antunes, que disse ser do MST e trabalhar na favela fazendo "formação política". Nesta quarta, a direção do MST no Rio, em nota, negou que ela seja ligada ao movimento. Rainha, porém, disse que Niúra é amiga dele:

- Niúra é nossa amiga, militante do movimento sem-terra. Tem um trabalho espetacular na área da saúde - disse Rainha.

O líder dos sem-terra disse que a última vez que esteve na favela foi no lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no começo de março. Em uma das várias visitas, conheceu Claudinho, quando ele disputava a eleição da associação dos moradores da favela.

- Gostei muito dele, uma pessoa comprometida, séria. Vi o trabalho dele na comunidade e incentivei a participação dele. Disse que ele tinha que ser candidato a vereador sim e, se ganhar, deve sair para deputado estadual - afirmou Rainha.

Rainha estaria brigado com integrantes da direção do MST, mas evita comentar:

- Isso eu discuto com eles, da direção. Discuto internamente. Quem não tem ética discute pela imprensa - disse Rainha, garantindo ainda que continua no MST: - Sou do movimento. Nunca deixei de ser.

Crivella faz caminhada na Rocinha sem policiais militares

O candidato a prefeito do Marcelo Crivella (Padm/PSDC/PRTB) fez uma caminhada na favela da Rocinha, na manhã desta quarta-feira, sem a presença de seguranças ou policiais militares, ao contrário de Ingrid no dia anterior, que foi à favela escoltada por policiais militares e fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A candidata pedira oficialmente garantias "de proteção" para fazer campanha eleitoral na favela, pois disse que foi impedida, assim como outros candidatos do seu partido, de entrar na comunidade por causa do que chamou de "poder paralelo", referência à facção criminosa que controla o tráfico de drogas na região. (Biscaia diz à Rádio do Moreno que 'quem não faz acordo com tráfico, não faz política')

Acompanhado da vereadora Lilian Sá, que tem um centro social na favela, Crivella começou nesta quarta-feira o percurso sem a presença de nenhum representante da comunidade. Pouco tempo depois, chegou o ex-presidente da associação de moradores local Willian de Oliveira. O candidato Claudinho da academia não apareceu, no entanto teve o nome citado junto ao do senador pelo megafone, durante o percurso de Crivella.

Ele caminhou da Via Ápia, principal acesso, passando pelo Largo do Boiadeiro, até a Rua Dois - conhecida como um ponto do tráfico de drogas. No percurso por ruas esburacadas, becos, esgoto a céu aberto e um emaranhado de fios de alta tensão, Crivella passou por olheiros do tráfico, mas não cruzou com homens armados.

 
Fonte: Jornal O Globo
 
 
 
 

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