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O
candidato a vereador Luiz Cláudio de Oliveira
(PSDC), o Claudinho da Academia, que tem reduto na
Rocinha, conta com um apoio de peso. O líder
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),
José Rainha Júnior, que atua na região
do Pontal do Paranapanema, em São Paulo, disse
nesta quarta-feira que não só apóia
como foi um dos que incentivaram a candidatura do
presidente da associação de moradores
da comunidade carioca. É o que mostra reportagem
de Adauri Antunes Barbosa e Flávio Tabak na
edição desta quinta em 'O Globo'. O
candidato diz ter o apoio de mais de cem líderes
da favela, e estaria impedindo a entrada de adversários
na área. O curral eleitoral teria, segundo
denúncias, o apoio do tráfico.
Rainha
disse que é amigo de Claudinho e que já
se encontrou com ele em várias visitas que
fez à favela carioca. O líder do MST
disse freqüentar a Rocinha desde 1997, e afirmou
que Claudinho não tem relações
com traficantes. Ao explicar as visitas, Rainha defendeu
a necessidade de organizar os moradores para lutar
contra o que chamou de ausência do Estado e
o preconceito contra o população do
morro.
-
Precisamos orientar, mostrar para esse povo que é
preciso lutar - disse Rainha, por telefone, de Presidente
Bernardes, onde ele lidera uma marcha do MST que saiu
na quarta-feira da cidade e irá até
Presidente Prudente.
Na
terça-feira, quando a candidata do PT Ingrid
Gerolmich teve que levar a PM para entrar na Rocinha,
além de Claudinho apareceu uma mulher, Niúra
Antunes, que disse ser do MST e trabalhar na favela
fazendo "formação política".
Nesta quarta, a direção do MST no Rio,
em nota, negou que ela seja ligada ao movimento. Rainha,
porém, disse que Niúra é amiga
dele:
-
Niúra é nossa amiga, militante do movimento
sem-terra. Tem um trabalho espetacular na área
da saúde - disse Rainha.
O
líder dos sem-terra disse que a última
vez que esteve na favela foi no lançamento
do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, no começo de março. Em uma
das várias visitas, conheceu Claudinho, quando
ele disputava a eleição da associação
dos moradores da favela.
-
Gostei muito dele, uma pessoa comprometida, séria.
Vi o trabalho dele na comunidade e incentivei a participação
dele. Disse que ele tinha que ser candidato a vereador
sim e, se ganhar, deve sair para deputado estadual
- afirmou Rainha.
Rainha
estaria brigado com integrantes da direção
do MST, mas evita comentar:
-
Isso eu discuto com eles, da direção.
Discuto internamente. Quem não tem ética
discute pela imprensa - disse Rainha, garantindo ainda
que continua no MST: - Sou do movimento. Nunca deixei
de ser.
Crivella
faz caminhada na Rocinha sem policiais militares
O
candidato a prefeito do Marcelo Crivella (Padm/PSDC/PRTB)
fez uma caminhada na favela da Rocinha, na manhã
desta quarta-feira, sem a presença de seguranças
ou policiais militares, ao contrário de Ingrid
no dia anterior, que foi à favela escoltada
por policiais militares e fiscais do Tribunal Regional
Eleitoral (TRE).
A
candidata pedira oficialmente garantias "de proteção"
para fazer campanha eleitoral na favela, pois disse
que foi impedida, assim como outros candidatos do
seu partido, de entrar na comunidade por causa do
que chamou de "poder paralelo", referência
à facção criminosa que controla
o tráfico de drogas na região. (Biscaia
diz à Rádio do Moreno que 'quem não
faz acordo com tráfico, não faz política')
Acompanhado
da vereadora Lilian Sá, que tem um centro social
na favela, Crivella começou nesta quarta-feira
o percurso sem a presença de nenhum representante
da comunidade. Pouco tempo depois, chegou o ex-presidente
da associação de moradores local Willian
de Oliveira. O candidato Claudinho da academia não
apareceu, no entanto teve o nome citado junto ao do
senador pelo megafone, durante o percurso de Crivella.
Ele
caminhou da Via Ápia, principal acesso, passando
pelo Largo do Boiadeiro, até a Rua Dois - conhecida
como um ponto do tráfico de drogas. No percurso
por ruas esburacadas, becos, esgoto a céu aberto
e um emaranhado de fios de alta tensão, Crivella
passou por olheiros do tráfico, mas não
cruzou com homens armados.
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