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ESPECIAL PARA O ESTADO
SALVADOR
Os cerca de 5 mil militantes baianos do Movimento
dos Sem-Terra (MST) que participam de uma marcha entre
as cidades de Feira de Santana e Salvador devem chegar
hoje à capital.
A partida de Feira de Santana ocorreu há exatamente
uma semana, no dia 19, para percorrer 108 quilômetros
pela BR-324, uma das estradas mais movimentadas da
Bahia. A caminhada faz parte do "abril vermelho",
a jornada de lutas do MST.
Os manifestantes planejam um protesto em frente ao
canteiro de obras do metrô no acesso norte,
na Rótula do Abacaxi. Amanhã, devem
seguir para o Centro Administrativo (CAB) para protestar
na sede do Incra.
O movimento pretende chamar a atenção
para a necessidade de o governo acelerar a reforma
agrária no País e lembrar os 14 anos
do massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido
em 17 de abril de 1996.
Na ocasião, 19 trabalhadores foram mortos por
policiais militares. "Não podemos permitir
que esse crime caia no esquecimento", diz a diretora
do MST Luci Barbosa. "É preciso que haja
punição para os assassinos."
A marcha também quer chamar a atenção
para a falta de estrutura nos assentamentos e a lentidão
do governo em obter terras para assentar as famílias
acampadas. Cerca de 25 mil famílias aguardam
por assentamento no Estado segundo a direção
estadual do movimento.
No município de Eunápolis, no extremo
Sul, cerca de 400 militantes mantêm, há
uma semana, a ocupação da Fazenda Barrinha,
da Veracel Celulose, que atua no plantio de eucalipto.
Segundo um dos coordenadores do movimento, Márcio
Matos, não há perspectivas de desocupação.
Essa é a segunda invasão do MST à
propriedade.
Até o fechamento desta edição
a Veracel não tinha respondido se ingressaria
na Justiça pedindo a reintegração
de posse.
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